Artigo: O Martírio, a fé e o grito do Amor

Por Pe. José Pereira Neto, Administrador da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Canguaretama (RN)

 

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos!” (Jo 15,13)

 

1- O Martírio
A teologia do martírio está inteiramente baseada na morte de Cristo e no seu significado. Cristo é o protótipo dos mártires: “Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo. Assumiu a condição de servo, tornou-se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte, morte de cruz” (Fl 2,6-8). A história da Igreja nascente e das missões confirma a extraordinária fertilidade apostólica do martírio e demonstra a verdade nesta exclamação de São Tertuliano Tertuliano: “Sangue de mártires é semente de novos cristãos!”
O martírio demonstra a todos os homens a força vitoriosa de Cristo, que superou a morte, e o poder eminente do Espírito, que anima e sustenta seu corpo místico, a Igreja, na luta contra as potências das trevas e do mal.
Os “PROTOMÁRTIRES DO BRASIL” descendem da autenticidade da fé de um povo, professada na Igreja de Cristo, os quais reconheciam verdadeiramente as consequências da permanência em sua fé. A historicidade do Brasil, nunca relatou ato mais cruel a lusos brasileiros, do que o Martírio de Cunhaú e Uruaçu, por causa da fé. Morreram cerca de 150 pessoas, apenas 30 foram identificadas e provadas suas bem-aventuranças, André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros; Mateus Moreira e seus 27 companheiros.

1- A Fé

Estamos vivendo um tempo todo especial da graça de Deus, na vida da nossa Igreja Arquidiocesana, com a confirmação da Canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, que garante o título de Santos. Reconhecer o sangue derramado é ter a certeza de que o amor existiu.
Dentro desse contexto amoroso do bom Deus, foi que, em 16 de julho de 1645, o estado do Rio Grande do Norte, vivia a invasão holandesa, que tinha como objetivo dominar as terras férteis, por meio da religião, com o desejo de transformar os católicos em fiéis calvinistas (protestantes). Na manhã daquele domingo, dedicado a Nossa Senhora do Carmo, o Padre André de Soveral e seus companheiros, diante da escolha entre a fé católica e a calvinista, preferiram na hora da missa, derramar o sangue por Jesus, vivido no mistério eucarístico. Não obstante, as iniciativas frustradas dos invasores, insistiram no dia 03 de outubro, do mesmo ano, no campo de Uruaçu; outra tentativa de imposição do calvinismo, mais uma vez, o Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira, e seus companheiros leigos escolheram morrer pela fé católica. Garantindo assim, no ano 2000, o reconhecimento público pela Igreja, se tornando os primeiros beatos Mártires do Brasil, pelo então papa João Paulo II, em Roma.

2- O grito do Amor

“O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus.” (Cura D’Ars)

Dentro desse contexto espiritual, foi que os dois sacerdotes, os padres André e Ambrósio, derramaram seu sangue, um exatamente na hora da missa e o outro unido a sua comunidade de fé. Dentre os martirizados, um se destacou, o leigo Mateus Moreira, que nos relatos históricos afirmam que na hora do martírio o seu coração foi arrancado pelas costas, onde o mesmo exclamou: “Louvado Seja o Santíssimo Sacramento.” Por esse grito de Amor a Jesus Eucarístico, foi proclamado Patrono dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, e a decisão foi aprovada pela Congregação para o Culto Divino.
Para os dias atuais, esse testemunho, ecoa como um fortalecimento para a nossa fé. O grito de Amor, fez com que seu coração fosse arrancado e o Amor pudesse ser proclamado naquilo, que para ele, estava toda a sua vida: a Eucaristia. Pertencemos a uma Igreja Eucarística, onde Cristo imolado no altar, é testemunhado com as nossas vidas e atitudes.
Por fim, Pertencemos a uma Igreja de santos, que com sua simplicidade entende que Jesus está em cada missa celebrada. Pertencemos a Igreja dos mártires, que entenderam que a fidelidade a Jesus, precisa passar pela experiência da Cruz e consequentemente o derramamento do sangue por Ele. Pertencemos a Igreja do Grito, que muitas vezes no silêncio das nossas dores, das nossas alegrias, da nossa fé exprime e deve exprimir o nosso Amor a Jesus, assim como proclamou o ainda beato Mateus Moreira: “Louvado Seja do Santíssimo Sacramento.”

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