O poder espiritual do Papa Francisco

Por Pe. Matias Soares, do clero da Arquidiocese de Natal, residindo em Roma

O poder é uma realidade. Ele sempre ocupa espaço. Não pode ser temido. Pode ser renunciado. Quando não conseguimos usa-lo para o bem e o serviço, por fragilidades corporais ou espirituais. Foi o que aconteceu com Bento XVI. Teve um grande gesto de humildade. Para ele, o poder não era fim; mas meio de promoção do bem. Como cristãos católicos, temos essa dádiva de contar com estes homens que sinalizam essa unidade e a mesma fé da Igreja. Esses testemunhos promovem um poder espiritual que é garantia de que existe uma Tradição Viva na Igreja. Sua força está na confiança de que Jesus Cristo é a sua verdadeira e universal Rocha. É a base da santidade desta Barca.

No momento estou na Alemanha. Faço um curso de verão de Doutrina Social da Igreja. O tempo é pouco para tanto que preciso conhecer deste patrimônio do magistério eclesial. É o evangelho e a sua tradução teórica e prática que foram luzes de orientação para os cristãos católicos e demais homens e mulheres de boa vontade que tiveram e têm preocupações com as questões sociais. É o ensinamento ético da Igreja que busca diálogo e leitura da realidade para que as ações humanas sejam promotoras da vida; pois a Humanidade é de Deus. O bem precisa ser comum a todos e para todos, já que somos filhos.

Estou tendo a alegria de constatar que há uma ótima recepção da pessoa do Papa Francisco e do seu magistério por estas paragens. Suas preocupações humanas, que têm sua fonte no Evangelho, interagem bem com os anseios da desenvolvida nação alemã. Escutei numa das conferências uma expressão que me chamou à atenção: O professor falou do “poder espiritual” do Papa Francisco. Esse é fruto do testemunho. Sua autoridade e poder são consequências de uma vida que vive o que ensina e ensina o que vive. Com suas atitudes, o Pontífice mostra ao Mundo que a ação é mais forte que a teoria. E essa quando tem força é porque concretiza o que formaliza.

Em outro momento afirmei e assumo como uma convicção cristã e eclesial: O Papa Francisco é uma benção de Deus para a Igreja e para o Mundo. Ele é um Cristão. Talvez seja esse o seu maior problema para alguns: Ele ser um Cristão! Num Mundo da globalização da indiferença e da ideia periférica que muitos de nós temos do que seja a força motriz da vida da Igreja, ele está oferendo possibilidades de iniciarmos um processo de maturação da vida cristã e eclesial para o III Milênio. Por isso, a urgência da conversão missionária de toda a Igreja. Essa não tem a ver só com um movimento; mas, com um estado de vida.

Deixo aqui essa breve reflexão. Tenho outras inquietações que pouco a pouco pretendo, de modo sinodal, compartilhá-las; porém, por enquanto, tenho só a convicção que necessitamos nos redescobrir no acidental, como Igreja, e permanecermos no essencial, como Cristãos. O Papa Francisco nos provoca, porque o seu poder espiritual está no testemunho de alguém que confia na Alegria do Evangelho. Assim o seja!

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