O presbítero, membro de uma comunidade de fé

Pe. Matias Soares2 (Cacilda Medeiros) (15)Por Pe. Matias Soares
Do clero da Arquidiocese de Natal, estudando em Roma

É muito interessante como a ideia de crise entrou na narrativa das ciências humanas, quando fazem a hermenêutica da conjuntura da sociedade Pós-moderna. Na teologia, essa preocupação epistemológica também apareceu com muita ênfase. 

A Igreja é uma comunidade de fé. Ela tem por fundamento a pessoa de Jesus Cristo. Quando há uma crise de reconhecimento desta e nesta Verdade, a própria comunidade perde o seu referencial. Aí são estabelecidas as confusões e desencontros na experiência cristã e eclesial. Surge a crise de fé e de identidade existencial. Sem esta, a comunidade desassocia do que é-lhe unicamente necessário. Eis o que causa estranhamentos no modo de ser cristão e estar na Igreja. É sentido frequentemente o desassossego existente entre aqueles que estão à frente das comunidades eclesiais, no concernente aos desafios de administrar as várias situações missionárias e administrativas da vida da Igreja na contemporaneidade. Existe um dilema em como enfrentar os desafios que nos são propostos não só pelo que existe dentro da Igreja; mas, igualmente, em como a Sociedade hodierna, com sua cultura secular, influencia às concepções e visões de mundo de quem é e vive na Igreja. 

O Concílio Vaticano II, atento aos sinais do tempo, captou bem o que acontecia e o que estava por vir com os novos paradigmas do mundo Hipermoderno. Dentre tantos ensinamentos, foi afirmado que a Igreja é o Povo de Deus. A partir do nosso Batismo, somos inseridos nesta grande família. No Concílio e no magistério Pós-conciliar foi valorizado o significado do Senso dos Fiéis para o fortalecimento da comunidade como Assembléia convocada. 

A Fé é sempre uma virtude teologal. Ela possibilita a comunhão com o mistério da Trindade. A Igreja deve ser o rosto temporal desta realidade de comunhão e amor. Quando não há experiência autêntica com este Mistério, a comunidade relativiza e minimiza a importância da Igreja e suas manifestações para o bem daqueles que a compõem e dos que estão fora dela. 

O Presbítero está inserido nesta realidade divina e humana. Os fiéis também. A falta de fé gera dificuldade no modo de ser e estar na Igreja. Quando uma comunidade não acolhe ou não é acolhida por um Presbítero, sem dúvidas, há sinais de má compreensão do que é a Igreja e o que ela significa para a vida das pessoas e para o Mundo. Neste aspecto, um dos grandes desafios da sua missão é não só evangelizar a quem está fora, mas também os que estão dentro dela e são condicionados pela mentalidade racionalista, ou indiferentista, Pós-iluminista. Essa situação contaminou até mesmo os Presbíteros. É isso que motiva a preocupação com a crise de identidade da pessoa destes. Por mais que se fale acerca da problemática, ainda não foi esgotado e tão cedo não o será. Precisamos dar uma atenção especial ao que estamos vivendo como Instituição, que está gerando relações imaturas entre os ministros ordenados e demais membros da comunidade eclesial. O Concílio tratou da necessidade da maturidade do laicato. Esse crescimento e conscientização só acontecerão pela via mistagógica e formativa que,  na pedagogia cristã, caminham concomitantemente. 

Por fim, com estas ideias, fica uma breve chamada de atenção sobre o que deve nos fazer rever os métodos na condução dos processos pastorais e administrativos, que hoje, mais do que nunca, devido às demandas macro que se tornam micro e as micro que vêm a ser macro, exigem mais responsabilidade e capacidade de discernimento para governar, não com medo do Povo; mas, preocupados com o bem deste mesmo Povo, que é de Deus e do qual somos servidores. Assim o seja! 

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