Comentário litúrgico › 28/07/2014

O Reino dos céus é como um tesouro no campo – 17º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de hoje nos recorda a encantável e consolante verdade: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo… O reino dos céus é semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas”. Jesus nos avisa que o tesouro é escondido no campo da vida e a pedra preciosa é colocada ao lado de tantas outras pedras no mercado da história humana. Isto significa que Deus não se encontra pela estrada; Deus não é uma banalidade. Se se quer encontrar Deus é preciso procurá-Lo, é preciso desejá-Lo com o mesmo desejo com que “o vigia, no coração da noite, espera a primeira luz da manhã” (Sl 130). De fato, para chegar a sentir o fascínio potente do “tesouro” ou da “pedra preciosa” (que é Deus), é necessário primeiro dar-se conta da pobreza e da fragilidade da condição humana: quem é pleno de si, certamente não o busca; quem, ao contrário, entendeu de ser pobre, imediatamente move o passo da busca humilde e tenaz: e chega aos braços de Deus.

Uma parábola oriental conta a história de um jovem que queria a todo custo descobrir o segredo da oração e, portanto, foi a um homem reconhecido como mestre de oração para que este lhe ensinasse o segredo. O mestre atendendo ao pedido do jovem, um dia o conduziu a um rio e o convidou mergulhar na água. Enquanto o jovem estava nadando o mestre, improvisamente, colocou a mão sobre a cabeça do jovem mantendo-o imerso na água por diversos segundos. Quando o jovem foi liberado e retornou à superfície, o mestre não lhe deu o tempo para fazer perguntas, e imediatamente lhe disse: “Diz-me com sinceridade: que coisa desejavas quando estavas imerso na água?” O jovem imediatamente respondeu: “O ar! Que outra coisa eu podia desejar?” O mestre conclui: “Quando chegares a desejar Deus com o mesmo ardor com que desejaste o ar, naquele mesmo momento verás o rosto de Deus e cairás de joelhos orando veramente”.

“Pleno de alegria, vende todos os seus bens”. Jesus com estas parábolas nos revela a lei da autêntica conversão. Podemos traduzir assim: a conversão quanto mais é verdadeira e mais é total, mais preenche o coração de indizível alegria.

Podemos tomar como exemplo os santos. Eles são mestres a nos ensinarem como encontrar o “tesouro escondido”. Olhemos para Francisco de Assis: ele se fez pobre e renunciou alegremente às riquezas paternas, porque encontrou a verdadeira riqueza. Por que Francisco se comporta assim? A resposta nos dá o Evangelho: Francisco tinha procurado com toda a alma a “pedra preciosa”. Inicialmente acreditou que a fama e as honrrarias fossem o tesouro da vida; fazendo a experiência de várias desilusões, Francisco finalmente entende que a pedra preciosa é Jesus Cristo. Então, com uma decisão esplêndida, ele abandona tudo e segue Jesus Cristo, tornando-se o homem da paz.

Pe. Edilson Soares Nobre

Vigário geral da Arquidiocese de Natal

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