Comentário litúrgico › 18/08/2014

Para despertar a saudade do céu – Assunção de Nossa Senhora

A Festa da Assunção de Nossa Senhora é um convite a olhar de longe e a olhar do alto. A vida humana não se esgota aqui neste mundo, mas há um desenvolvimento e um complemento maravilhoso além do cenário frágil da esperiência quotidiana.
Maximiliano Kolbe, enquanto viveu no campo de concentração de Auschwitz, tinha sempre presente a orientação da vida e nunca perdia de vista a meta do caminho. Por este motivo não se deixou desanimar (mesmo com o terrível peso de um campo de concentração) e saiu vencedor. Também nós devemos recuperar este comportamento espiritual.
Maria Assunta ao céu é um convite ao futuro, e é uma antecipação daquilo que será. A Igreja, desde suas origens, cultivou esta consoladora notícia na sua memória de fé. O Papa Pio XII, durante o Ano Santo de 1950, na qualidade de intérprete da “tradicio fidei” declarou que esta notícia cultivada na memória do povo de Deus é uma notícia autêntica: essa vem das origens apostólicas, vem do fato veramente acontecido.
Por que a Igreja afirma que Maria foi assunta ao céu em corpo e alma? Poque Deus quis este ulterior sinal, que destaca a força e a verdade da Ressurreição de Jesus? Certamente, nós podemos somente balbuciar alguma razão: as “razões de Deus”, de fato, nos superam infinitamente. Porém é lícito refletir sobre verdades de fé, até que estas nos iluminem e nos nutram a alma.
A Assunção de Maria ao céu destaca a profunda ligação que existe entre o Filho e a Mãe. Jesus recebeu o seu corpo de Maria e Maria fez ao lado do Filho todo o caminho da fé até o momento da grande hora, a hora da cruz.
A Assunção é o agradecimento do Filho. Se nós somos capazes de sermos gratos à nossa mãe, Deus não será infinitamente mais capaz? Este fato nos comove e nos faz sentir assim próximo e assim “humano” o Coração de Deus!
Não só. A Assunção de Maria é um grito do Céu em direção à terra. É uma provocação divina no confronto da nossa fraca memória.
Santa Teresa de Lisieux em sua auto-biografia, escrita poucos meses antes de morrer, observa lucidamente: “Suponho de ter nascido em um país imerso na neve, de não haver nunca contemplado o aspecto ridente da natureza inundada e transfigurada do esplendor do sol, mas desde a minha infância, é verdade, ouço falar de tais maravilhas (ou seja um país pleno de sol): sei que o país em que me encontro não é a minha pátria, que a minha pátria é um outro país, ao qual devo incessantemente aspirar”.
Que Maria Assunta ao Céu nos dê a graça de termos estes mesmos sentimentos de autêntica saudade do Paraíso.

Pe. Edilson Soares Nobre

Vigário Geral da Arquidiocese de Natal

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