Destaques › 09/10/2014

Sínodo segue debatendo propostas do Instrumento de Trabalho

33211A quinta Congregação Geral do Sínodo, realizada nesta quarta-feira, 08 de outubro, prosseguiu com os debates dos temas previstos pelo instrumento de trabalho “Os desafios pastorais da família”. O papa Francisco não participou da congregação devido à audiência geral na Praça São Pedro.

Primeiramente, a discussão centrou-se na situação da Igreja no Oriente Médio e no norte da África. As duas áreas estão vivendo contextos políticos, econômicos e religiosos que afetam gravemente as famílias. Nestes locais, as leis impedem, de fato, uma união familiar e a pobreza leva à migração; além de haver fundamentalismo religioso e os cristãos não possuírem os mesmos direitos que os muçulmanos, surgem muitos problemas para as famílias que nascem dos matrimônios inter-religiosos.

Para a Igreja é um desafio entender que catequese se deve oferecer às crianças nascidas nesse contexto e como responder à incógnita dos católicos que, unidos em um matrimônio “misto”, querem seguir praticando sua fé. Estes casais não podem ser deixados de lado e a Igreja deve seguir ocupando-se deles. Outro desafio é sobre os cristãos que se convertem ao islamismo para se casar.

Para os bispos, a questão não é apenas inter-religiosa, mas ecumênica. Há casos, por exemplo, em que se um católico casado na Igreja não consegue obter a declaração de nulidade de seu matrimônio, passa para outra fé cristã e volta a se casar em uma igreja que permita isso. Em qualquer caso, se subtraiu a necessidade de tomar o caminho da misericórdia para as situações difíceis.

Novamente voltou-se a refletir sobre a necessidade de uma maior preparação para o matrimônio, prestando também uma atenção específica à educação afetiva e sexual. Ao lembrar a grande contribuição dos avós na transmissão da fé, os padres sinodais insistiram na importância de um núcleo familiar que acolha, com cuidado e ternura, as pessoas da terceira idade.

Divorciados e recasados

Quanto aos divorciados e novamente casados, o Sínodo deixa evidente que a questão deve ser tratada com a cautela necessária que requerem as grandes causas, mas também combinando a objetividade da verdade com a misericórdia pela pessoa e seu sofrimento. Eles lembram que muitos fiéis estão em uma situação da qual não são culpados.

Igualmente, foi reiterado o compromisso da Santa Sé de não deixar de ouvir a voz em defesa da família em todos os níveis – internacional, nacional e regional – com objetivo de ressaltar sua dignidade e chamar a atenção sobre seus direitos e deveres.

Por essa razão, foi enfatizado que a Igreja deve combater o silêncio das famílias na educação e religião, porque não há espaço para a hesitação. Faz falta um compromisso mais forte no testemunho do Evangelho e é sempre necessária a criatividade pastoral.

Leigos

O Sínodo ainda abordou a contribuição singular trazida pelos leigos no anúncio do Evangelho da família. Especialmente os jovens participantes de movimentos eclesiais e as novas comunidades desempenham um serviço importante, vital, levando adiante a realização de uma missão profética e contramão à época. Escutar os leigos e crer mais neles, é, portanto, essencial, porque neles que a Igreja pode encontrar respostas aos problemas das famílias.

A precariedade do trabalho e o desemprego também foram discutidos. A angústia pela falta de um trabalho seguro cria dificuldade nas famílias, assim como a pobreza econômica, que muitas vezes torna impossível a existência de um lar. No entanto, o dinheiro deve servir e não governar.

Iraque

No decorrer dos trabalhos, os padres sinodais aprovaram o envio de uma mensagem de estima e encorajamento às famílias no Iraque, ameaçadas pelo extermínio praticado pelo fanatismo islâmico, que obrigou-as a fugir para não renunciar à sua fé.

O cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e enviado especial do papa ao Iraque em agosto, prestou declarações ao Programa Italiano da Rádio Vaticano. “Uma das realidades mais dramáticas é precisamente aquela que está acontecendo no Iraque, onde famílias tiveram que fugir porque foram colocadas diante da alternativa; renunciar a fé ou irem embora. Parece-me que este é o mais belo testemunho de um ponto de vista da fé. Ou seja, eles testemunham a fé, não obstante os problemas de deixar para trás suas casas e seus bens. O que mais me impressionou quanto estive no Iraque é que as famílias mantêm-se unidas, e para onde quer que fujam, mantêm a união. É muito belo poder dizer neste Sínodo que não só o testemunho de fé das famílias iraquianas é bonito e vale para todos, mas que elas continuam unidades diante das dificuldades”, disse.

“Divisão entre cristãos pode ferir a Igreja”

Antes de iniciar os trabalhos sinodais desta quarta-feira, 08, o papa Francisco lembrou a multidão de fiéis presentes na Praça São Pedro que a divisão entre os cristãos pode ferir a Igreja. “As divisões, enquanto ferem a Igreja, ferem a Cristo: a Igreja, de fato, é o corpo de cujo Cristo é o chefe”.

O pontífice explicou que os cristãos católicos devem “unir  oração às súplicas de Jesus pela unidade do povo de Deus, além de não se fechar para o diálogo e encontro com os mais próximos”.

O bispo de Roma lembrou-se também de um acontecimento considerado especial em sua vida. “Não deveria contar fatos pessoais. Estamos falando de comunhão, comunhão entre nós. E hoje eu agradeço ao Senhor porque são 70 anos que fiz a Primeira Comunhão”, contou, sendo aplaudido pela multidão.

Segundo Francisco, este sacramento significa entrar em comunhão com os irmãos da Igreja, sobretudo os que acreditam em Jesus.

 Fonte: cnbb.org.br

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