Artigos, Notícias › 31/03/2020

A economia de Francisco na paróquia

Aluísio Alberto Dantas[1]

A ‘economia de Francisco’ é ressaltada e evidenciada como uma ação real e efetiva do plano paroquial da Igreja, constituindo-se em importante e expressiva prática da Doutrina Social da Igreja na Paróquia. Essa nova economia profetizada pela Igreja – “a economia de Francisco” –, pode ser expressa em projetos de educação profissional, intermediação ocupacional das pessoas, produção de bens e serviços, geração de renda e inclusão econômica de homens e mulheres da comunidade. Assumindo o novo protagonismo de quem é excluído, as ações comunitárias e de desenvolvimento social, desenvolvidas no âmbito da Paróquia, visam contribuir com a construção de novos caminhos econômicos, pautados no inviolável princípio cristão da dignidade humana e da justiça social (CDSIg, 160).[2] Tratando-se de proposta com objetivo de contribuir com a evolução das relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços, de inclusão social e de combate à exclusão e à miséria humana, a nova economia indicada pela Igreja é socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável. Nas palavras do Papa, “é uma economia diferente, que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a devasta”.[3]

A Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, publicada pelo Papa Francisco em 24 de novembro de 2013, descreve uma rica proposta de transformação missionária da Igreja, a partir de uma Igreja “em saída” que permita oferecer a todos a alegria do Evangelho que enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus (EG,1)[4]. Nesse Documento, o Papa convida todo cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo, “já que da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído” (EG,3).

Projetos de economia social são normalmente elaborados a partir das demandas locais que são necessárias à sobrevivência das pessoas, das famílias e de cada comunidade. As experiências comprovam que as demandas locais são elementos que asseguram a eficácia e a efetividade social das ações de economia social. A identificação e caracterização das demandas de cada área e comunidade devem ser obtidas a partir de eventos comunitários conduzidos por pastorais, movimentos, serviços da Paróquia. Contando com a participação direta de membros, lideranças e atores locais, as demandas comunitárias devem ser obtidas a partir de observações, pesquisas, depoimentos, constatações e demais ações comunitárias desenvolvidas na Paróquia. As características e peculiaridades reais, efetivas e atualizadas das demandas comunitárias são, portanto, essenciais para o planejamento de metodologias, conteúdos, metas e demais elementos do projeto de economia social – “a economia de Francisco” – executado da Paróquia.

As demandas locais devem ser transformadas em projetos executivos que permitam a ocupação da força de trabalho e a geração de renda na produção de bens e serviços economicamente viáveis. Mantendo precauções em criar expectativas comunitárias, a Paróquia deve integrar-se à assessoria técnica da Cáritas – entidade de promoção e desenvolvimento social da Arquidiocese. Integrada ao Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (CENIS), a Cáritas poderá contar com a participação de órgãos públicos, Sistema “S”, instituições acadêmicas, bancos e outras organizações sociais que ajudem a viabilizar a execução e funcionamento de projetos de economia e justiça social da Paróquia.

[1] Professor de Economia da UFRN (aposentado) e UNI-RN; Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório.

[2] Pontifício Conselho “Justiça e Paz”. Compêndio da doutrina social da Igreja. – São Paulo : Paulinas, 2005.

[3] Carta do Papa Francisco para o evento “Economy of Francesco”. <www.vatican.va> Acesso: 20/3/2020.

[4] Papa Francisco. Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” – São Paulo : Paulinas, 2013.

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