Artigos, Notícias › 20/04/2020

A infidelidade

Por Pe. Matias Soares, pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Mirassol, Natal

Um dos dramas mais angustiantes das relações humanas é a infidelidade. Depois de certo tempo exercendo o ministério sacerdotal, com a celebração do sacramento da penitência e a direção espiritual de tantas pessoas que já foram sujeitos ou vítimas da infidelidade, conseguimos ter uma ideia do dilema existencial que é gerado na vida dos envolvidos nesta atitude.

Gostaria de deixar claro que a noção aqui é aplicada às relações de amizade, vida conjugal e outras formas de parcerias. A questão é sempre a da traição. É a ruptura de um sentimento que foi causada por uma negação, abandono, violência, que gera decepção e sofrimento. A infidelidade é a traição do amor, da amizade, da confiança, do respeito e assim por diante.

A partir de princípios teológicos, articulei a narrativa de que a infidelidade é a traição do amor, ou sentimentos afins, com o qual fomos agraciados. Podemos raciocinar que ser infiel a Deus é trair o seu amor para conosco. Na dinâmica pastoral, escutando tantos casais, aprendemos que, o que mais fere na traição não é um fato da entrega corporal a outra pessoa. Essa mentalidade, na maioria das situações fora construída pela nossa cultura pré-moderna, que era machista e patriarcal. Principalmente na psicologia feminina o que dói é saber que o amor com o qual tanto amou-se foi minimizado e menosprezado.

Em povos de cultura poligâmica existe até mesmo um perfil psicológico diferente de homens e mulheres no modo de conceber e aceitar esse assunto. No Ocidente, há um direcionamento neste sentido, principalmente por causa da influência cristã na promessa da fidelidade dos cônjuges. Tenhamos clareza da amplitude das diferentes culturas. Contudo, temos que partir do paradigma que temos e que nos formou, mesmo que já vivamos numa época de incertezas sobre questões até mesmo deste gênero.

Por fim, a consideração das pessoas e seus relacionamentos pensados integralmente, a saber: sua história pessoal, vida familiar, influências ideológicas, frustrações e violências sofridas, são necessários para que as considerações sejam sensatas. Há sempre um mundo complexo. Mesmo assim, uma relação pautada em sentimentos que são confirmados diariamente com atitudes e desejo de buscar o bem e a felicidade do outro, é o melhor antídoto para que exista fidelidade. Sem esquecer que, onde há amor e amizade verdadeiros existirá lugar para o perdão e o desejo da salvação de vidas e histórias construídas. Assim o seja!

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