Artigos, Notícias › 07/10/2020

A redes podem nos matar, e já começaram

Por Pe. José Lenilson de Morais
Pároco da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim
São José de Mipibu/RN

Há poucos dias assisti o documentário/filme da Netflix intitulado: “O dilema das redes”. Confesso que fiquei chocado e impressionado. E é até irônico que eu esteja usando justamente uma rede social (das mais perigosas) para isso. Porém, de início, já digo que elas podem também ser uma aliada para o bem, contudo é necessário estar atentos porque somos vigiados ou até controlados o tempo todo, sem nos darmos conta. Nunca nos comunicamos tanto, porém nunca nos comunicamos tão mal. Bruno Patino, especialista em mídias e assuntos digitais, alerta que:

“Para conquistar nosso tempo, as ferramentas vão transformar o hábito em vício. Técnicas das neurociências são usadas para nos tornar cada vez mais dependentes, seja da própria tela ou de certos aplicativos do nosso smartphone. Nosso tempo é um recurso que, pouco a pouco, está sendo sugado por novos atores que, por não estarem limitados em sua ação, comportam-se como predadores”.

O documentário “O dilema das redes” mostra que, nas redes sociais nós somos o produto, nós somos escravizados e vendidos. Basicamente, na última década começou a se formar uma nova cultura de massa. Se antes as telenovelas, os programas de rádio e as revistas de fofocas ocupavam as pessoas para se informarem sobre a “vida dos famosos”, hoje cada um faz-se famoso, graças ao alcance das redes sociais. Houve uma espécie de popularização da “famosidade” assim como um acesso mais imediato as notícias, opiniões e também fugacidades.  As notícias continuam a serem manipuladas pela grande mídia, por muitos blogs submissos ou comprados, por grupos políticos e empresas gigantes, pelos criadores de notícias falsas ou distorcidas, chamadas de “fake news”, que pululam as redes sociais.  A realidade é que a maioria da população está sendo direcionada pelo poder hipnotizador das redes sociais.

No livro #vertigemdigital (escrito assim mesmo) o autor Andrew Keen mostra o quanto o que parece ser sinal de liberdade torna-se meio para um controle da população infimamente superior a todas as épocas, porque agora a privacidade já não existe. Empresas mundiais compram as informações e sabem muito mais de nós que nós mesmos, e pelas “maravilhosas redes” influenciam diretamente as tendências, os costumes e o consumo. A força hipnótica e alienadora chega também a vida concreta quando muitas pessoas tem suas vidas e dignidade destruídas pela velocidade de propagação das mentiras, calúnias e suposições. Além disso, a banalização da morte é o primeiro prato do dia.

Parece que estamos a caminho de uma abismo, de uma sociedade imbecilizada, controlada, agressiva e sem afeto concreto. A inteligência artificial tomará o lugar do que é verdadeiramente humano? Não sabemos. O que fazer? Ainda dá tempo? Sim, comece hoje:  limite seu tempo na internet, no celular, nas redes. Observe as sugestões para lhe atrair ao consumismo digital e diga não. Aprenda a driblar aos algoritmos, os mecanismos secretos de controle; seu cérebro é mais potente que mil computadores. Não se deixe enganar! Você não é amado nas redes nem pelas redes. Se elas são realmente necessárias para você, aprenda a usá-las ou elas vão lhe matar…de um jeito ou de outro.

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