Artigos, Notícias › 16/04/2020

Ação Pastoral pós-Coronavírus

Por Pe. Matias Soares, pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Mirassol, Natal

A revolução atual e futura causada por esta pandemia é um fato. A vida das pessoas e das instituições que foram alcançadas por esta pestilência tem consequências sobre as quais ainda não podemos ter um alcance total.

Na vida eclesial e sua ação pastoral também teremos mudanças. Essas já estavam em andamento pelas proposições assumidas pela V Conferência de Aparecida e reforçadas pelo desejo do Papa Francisco de uma conversão missionária e, a partir desta, da reforma das estruturas eclesiais. As Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora (2019-2023) tentam recepcionar essas orientações com a ênfase dada as “Comunidades Eclesiais Missionárias”. A retomada das primeiras comunidades eclesiais que reuniam-se nas casas, sem esquecer a centralidade da Santíssima Eucaristia, principalmente no Dia do Senhor celebrada com toda a comunidade, passa a ser reconhecida como uma urgência.

Já tinha tratado sobre a urgência da valorização das novas ferramentas midiáticas para o avanço deste processo. Agora é confirmado o que já tinha visualizado, mesmo que as Novas Diretrizes não tenham dado uma relevância maior a essa preocupação. Além da vivência e testemunho da fé nas casas, a Igreja, por força, terá que avançar ainda mais no uso das Novas Mídias Sociais. Os evangélicos, por sua divisão e proposta proselitista, são mais ousados com esses meios. A Igreja Católica ainda tem uma presença significativa de fiéis nas celebrações preceituais, mesmo isso sendo prognosticado como superado num futuro não tão distante e, por isso, não assumiu um projeto mais aprimorado nesta linha.

O Papa Francisco já indicou que o Evangelho e o Crucifixo são duas vias de fortalecimento da espiritualidade cristã para os momentos que estamos vivendo e, aqui, assumiria essa proposta para tantos outros momentos deste novo modo de ser Igreja no Terceiro Milênio. Muitas ilusões emotivas estão sendo propagadas como alimento da esperança das pessoas nestes dias difíceis. Talvez isso seja mais um grande erro das metodologias assumidas por aventureiros pastorais da eclesiologia das prosperidades da Hipermodernidade, também dentro da Igreja Católica. Há uma carência teológica e um narcisismo autoreferencial bem notórios.

Para o uso efetivo e eficaz destes canais de evangelização são necessários a formação e a consistência teológica, além de certo carisma a ser observado. A Igreja está sendo desafiada mais uma vez pelos sinais dos tempos. Os seus responsáveis imediatos precisam de discernimento pastoral. Será que vão abrir-se à ação do Espírito Santo?

Finalmente, enfatizo as duas questões postas: o fortalecimento da importância das Comunidades Eclesiais Missionárias a partir das famílias e o uso ampliado das Novas Mídias sociais e demais meios de comunicação disponíveis para a ação evangelizadora nestes tempos sombrios e depois desta Crise. Os desafios estão postos. Vamos em frente. Assim o seja!

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