Notícias › 15/07/2016

Artigo: “Sacramento da Unção dos enfermos”

Pe. Valtair Lira Lucas (1)Pe. Valtair Lira Lucas

Pároco da Paróquia de São Camilo de Léllis, Lagoa Nova, Natal

                É impressionante a atenção que Jesus Cristo tinha para com os doentes, quaisquer que fossem. Os Evangelhos nos apresentam a cada passo Jesus atencioso com o doentes, restituindo-lhes a saúde e aproveitando a ocasião para evangelizar os próprios doentes e as pessoas presentes. Esse carinho para com os doentes, Jesus o transmite aos Apóstolos, à Igreja; e deixa na sua Igreja um sacramento especial para atender aos doentes: a Unção dos Enfermos. Embora sem ainda ter o nome de “sacramento”, a Unção dos Enfermos era praticada já nos tempos de Jesus e dos Apóstolos, pois lemos em Mc 6,13 que os Apóstolos ungiam os doentes. E em Tg 5,14 está muito claramente indicada a prática da Unção dos Enfermos: “Algum de vocês está doente? Chame os presbíteros da Igreja a fim de rezarem sobre ele depois de o terem ungido com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará. Se ele cometeu pecados, estes lhes serão perdoados”.

A constituição apostólica Sacram unctionem infirmorum, de 30 de novembro de 1972, seguindo o Concílio Vaticano II, estabeleceu que doravante, no rito romano, se observe o seguinte: “O Sacramento da Unção dos Enfermos é conferido ás pessoas acometidas de doenças perigosas, ungindo-as na fronte e nas mãos com óleo devidamente consagrado – óleo de oliveira ou outro óleo extraído de plantas -, dizendo uma só vez: “por esta santa unção e por sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto de teus pecados, Ele te salve e, em sua bondade, alivie teus sofrimentos”. Ainda, no Catecismo da Igreja Católica, encontramos: “A Unção dos Enfermos não é um sacramento só daqueles que se encontram às portas da morte. Portanto, tempo oportuno para receber a Unção dos Enfermos é certamente o momento em que o fiel começa a correr perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice. Se um enfermo que recebeu a Unção dos Enfermos recobrar a saúde, pode, em caso de recair em doença grave, receber de novo este sacramento. No decorrer da mesma enfermidade, este sacramento pode ser reiterado se a doença se agravar. Permite-se receber a Unção dos Enfermos antes de uma cirurgia de alto risco. O mesmo vale também para as pessoas de idade avançada, cuja fragilidade se acentua”. (CIC 1514)

Na administração da unção dos enfermos usa-se o óleo para ungir a fronte e as mãos da pessoa enferma. O óleo,  como sinal “significante”, lembra o alívio, o lenitivo da dor. O “significado” é Cristo que associa nossas dores às suas e nos conforta nas dores e sofrimentos da doença. O “significante”, como sinal sacramental, é o óleo. O “significado”, como realidade presente, é Cristo que está aliviando as dores do cristão, associando-as às dores do crucificado e ressuscitado. Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da Unção dos Enfermos. É dever dos pastores instruir os fiéis sobre os benefícios deste sacramento. Que os fiéis incentivem os doentes a chamar o sacerdote, para receber este sacramento. Que os doentes se preparem para recebê-lo com boas disposições, com a ajuda de seu pastor e de toda a comunidade eclesial, que é convidada a cercar de modo especial os doentes com suas orações e atenções fraternas.

Diz o Catecismo da Igreja Católica que, “como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, quer tenha lugar na família, no hospital ou na Igreja, para um só enfermo ou para todo um grupo de enfermos. Palavra e Sacramento formam um todo inseparável. A Liturgia da Palavra, precedida de um ato penitencial, abrirá a celebração. As palavras de Cristo, o testemunho dos apóstolos despertam a fé do enfermo e da comunidade para pedir ao Senhor a força de seu Espírito”. (CIC 1517)

A Unção dos enfermos tem, pois, como efeitos: dar a graça, a força, para enfrentar de maneira cristã a doença, amenizando assim a dor, pela fé. Oferece a possibilidade da reconciliação pelo perdão dos pecados que o doente não possa confessar. Alguma cura oferece também; se não a cura total (que às vezes pode acontecer), pelo menos o alívio, pois tranquilizando o espírito, essa tranquilidade passa também  para o psíquico, para todo o corpo.

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