Notícias, Notícias gerais › 01/07/2016

Artigo: “Vivência da Misericórdia”

Pe. Julio Cesar Souza Cavalcante (Cacilda Medeiros) (2)Pe. Júlio César Souza Cavalcante
Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, Candelária, Natal

 Desde 8 de dezembro de 2015, estamos vivendo o Ano da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco como um grande Jubileu Extraordinário para que possamos descobrir como colocar em prática na nossa vida diária, através das obras de misericórdia, o serviço generoso do amor, especialmente para com aqueles que buscam acolhida e atenção, pois, muitas vezes, estão excluídos da sociedade e até mesmo da Igreja. Em virtude de espaço, gostaria de firmar-me em três pontos: os enfermos, os encarcerados e as mulheres que sofrem por abortos já cometidos.

O Santo Padre, em carta endereçada ao Cardeal Fisichella, presidente do Conselho responsável pela organização do Ano da Misericórdia, expressou o desejo de que o Ano da Misericórdia produza em cada fiel “o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém”. O convite do Santo Padre para que vivenciemos as obras de misericórdia nos leva a ter um olhar especialmente dirigido aos enfermos. Preocupa-se, o Papa Francisco, de maneira tal, que estes irmãos e irmãs nossos sejam misericordiosamente acolhidos no Jubileu que chega a afirmar que “viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar”.

Outra forma de vivência para as obras de misericórdia, o Papa apresenta,  quando dirige-se aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade, concede que as capelas dos cárceres sejam também lugares de distribuição de indulgência, e que “todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também  transformar as grades em experiência de liberdade.

Especialmente destacado deve ser o interesse do Santo Padre pelas mulheres que em determinado momento de sua vida decidiram pela interrupção da vida que traziam em seu ventre e que se encontram angustiadas e sofridas pela decisão tomada. A sua palavra convida a combater a “mentalidade muito difundida [que] já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida”. Afirma o Papa: “O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto  semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança.

O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também, por este motivo, não obstante qualquer disposição em contrário, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado. Os sacerdotes se preparem para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença”.

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