Artigos, Notícias › 11/04/2020

Biodireito: Vida, economia e política

Por Pe. Matias Soares
Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório – Mirassol – Natal

A crise causada pelo Coronavírus chamou para o cenário a discussão global da relação existente entre a economia, a política e a centralidade da vida.

É questão de biodireito, mas também de moralidade pessoal e responsabilidade social. Salvar a vida das pessoas pode ser relativizada em nome da salvação da economia? Para a política contemporânea, na qual prevalece o princípio de que “os fins justificam os meios para a manutenção do poder”, a economia é o eixo em torno do qual deve girar todas as ações políticas. Mesmo sem reconhecer, os mais direitistas dos políticos são aderentes da concepção política de Karl Marx, que considerava a economia como centro gravitacional em torno da qual existiam as demais estruturas sociais.

Uma nova sistêmica está em evolução. Análises e interpretações estão a surgir. A pestilência trouxe novos reflexos científicos, políticos, religiosos e estruturais para o Pós-modernismo. A preocupação com um novo Humanismo deve ser considerado. Como no Pós- II Guerra, uma atual ética das virtudes foi chamada em causa, principalmente pela via da compaixão, a urgência da solidariedade global passará a ser a base de reconhecimento da centralidade da pessoa. De todas pessoas e das pessoas todas. Necessitamos dessa ordem civilizatória.

Líderes integrados humanamente, intelectualmente e moralmente precisam ser reconhecidos. Projetar loucos e megalomaníacos, com estilos fundamentalistas, é um erro pessoal e estrutural. Está patente que sem a salvaguarda da Humanidade, nem a economia, nem a política, terão consistência.

Por fim, confiemos na ciência e na sabedoria de vozes isoladas que surgem neste tempo de crise e de sombras. Observemos o que os profissionais da saúde orientam. Vamos corroborar com nossas atitudes o que a Organização Mundial da Saúde propõe. Apoiemos o que o Ministério da Saúde, neste momento nos pede. Sejamos cidadãos e cristãos responsáveis e promotores da vida plena para todos. Isso é questão central do biodireito, da política e da economia. Assim o seja!

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