Destaques › 06/01/2021

Discurso de Dom Jaime na missa em ação de graças pelos 25 anos de episcopado

(Foto: Sandro Menezes)

Meus caros bons irmãos e irmãs aqui reunidos rendendo graças a Deus pelo percurso da minha vida vocacional, como padre e agora como bispo, desde o seminário, no contexto de um Igreja que se reanimava pela expectativa do Concilio Vaticano II, das conferencias episcopais de Medellín, Puebla, Santo Domingos e Aparecida, referências eclesiais e históricas de um caminhar da Igreja sempre atenda as realidades do seu tempo, na fidelidade no cumprimento de sua missão, sócio transformadora como luz do mundo e sal da terra.

Deus me concede a benção de celebrar mais uma ação de graças, no transcurso da minha vida de padre e de bispo na vida da Igreja. Quantas festas, quantos momentos de comunhão, alegrias e bençãos já vividos anteriormente pelas datas de aniversário natalício, de ordenação sacerdotal, e agora jubileu de prata episcopal.

A grande pergunta que me faço agora, nesse momento de Ação de Graças pelos 25 do ministério episcopal é: o que permanece desde aquele tempo vocacional até hoje?

Constato que duas coisas permanecem como grande convicção:  o desejo de acolher e a disponibilidade de servir.

O desejo de acolher, aprendi a partir das lições de padres como: Monsenhor Emerson Negreiros, Monsenhor Vicente,  Monsenhor Barros, Monsenhor Expedito, Padre Antas, Monsenhor Monteiro, Monsenhor Pinto, Monsenhor Armando, e tantos outros padres que formavam o clero da Arquidiocese, aonde fui formado;  sem esquecer o exemplo das irmãs vigárias ou inseridas nas comunidades de nossa arquidiocese que tanto dedicaram a vida ao acolhimento, a proximidade ao povo, o zelo e o empenho pela dignidade humana. Tais exemplos me acompanham até hoje.

 

COMO PADRE

À luz do Concílio Vaticano II aprendi a fazer o exercício de acolhimento nas diversas paróquias por onde passei, no Seminário de São Pedro, onde tive a graça de ser reitor….

Nas várias comissões e serviços pastorais que participei sempre procurei seguir a DOUTRINA SOCIAL da Igreja, SER e CONSTRUIR uma Igreja que abre as portas para acolher a todos, e em especial os mais necessitados.

Nesta mesma trilha tento continuar como Bispo!

 

EM CAICÓ

Na experiência da minha primeira Diocese como bispo em Caicó, no Seridó, pude viver intensamente as recomendações do Documento de Medellín (1968) e Documento de Puebla (1979). Viver o desafio da opção preferencial pelos pobres, por meio da organização do povo em suas comunidades, na busca de seus direitos e melhores condições de vida.

Nesse sentido, me empenhei em projetos de promoção humana, como por exemplo a criação, por parte do governo do estado, do Conselho Superior de Desenvolvimento Regional Sustentável do Seridó, do qual fui nomeado presidente, garantido assim, a isenção política partidária de um processo que deveria contar com a participação de todas as expressões da vida social.  Dentre tantos frutos colhidos nesse processo, destaca-se a ADESE (Agência de Desenvolvimento Sustável do Seridó).

Quando reuníamos o povo do Seridó para a ação social, estava implícito um processo de evangelização, celebrávamos missas nas associações rurais comunitárias, para render graças por conquistas como: eletrificação rural, postos tubulares, construção de açudes e barragens em vista da carência de recursos hídricos. Me fiz seridoense na confraternização e ação de graças da comunidade.

Como os devotos de Sant’Ana que assumindo a sua identidade religiosa reúne as forças de conjunção para fortalecer a fisionomia de uma Igreja de comunhão e participação pelo bem comum.

 

CAMPINA GRANDE

Também esse foi o esforço em Campina Grande. Uma região com diversidade cultural visível e com uma vida acadêmica intensa, alimentada pela sua própria identidade centro de tecnologias. Lá sempre me perguntei: como posso levar a voz da Igreja mais longe? Como posso estar nas periferias? Como posso me fazer presença de fortalecimento da fé do povo em suas romarias? Como posso caminhar com os movimentos sociais?

Entendia que a minha resposta a todos esses questionamentos deveria ser a permanente e natural  promoção das relações institucionais, pela participação e presença nos momentos mais significativos da vida sócio, política, econômica e religiosa da cidade e da diocese.

Foi neste sentido que construímos juntos com as Universidades e outras forças da sociedade civil, o Observatório Social do Nordeste (OBSERNE). Um organismo resultante dos diversos seminários de estudos para pensar e reorganizar a caminhada do povo, no que toca os desafios da região Nordeste. Muitas foram as conquistas! Destaco o Programa de Um Milhão de Cisternas.

Em Campina Grande pude pensar e construir a Igreja “comunidade de comunidades”, como recomenda o Documento de Aparecida (2007). Para mim a “comunidade de comunidades” é a mais bela expressão de acolhimento e atenção às pessoas mais simples e humildes, dos invisíveis e em situação de vulnerabilidade social.

Nisto consiste a disposição para o serviço. Ir ao encontro de todos e fazer da Igreja a voz dos que precisam do reconhecimento social e do cuidado da sua dignidade.

 

EM NATAL

Aqui começamos nosso ministério, pelo exercício das visitas aos diversos setores da sociedade civil e da Igreja. Sempre procurei ouvir para poder acolher e para poder servir.

Nesses oito anos sob o olhar de Nossa Senhora da Apresentação realizamos Visitas Pastorais de uma forma diferente pelos zonais, com prioridade para ouvir os jovens, os agentes de pastorais e escutar os apelos de cada comunidade.

Celebramos o ano da Fé com o lançamento da Edição especial do Catecismo da Igreja para a Arquidiocese de Natal, para levar adiante a campanha, um catecismo em cada lar.

Recordo com carinho uma das mais belas e expressivas manifestação de fé para o nosso povo que foi a vivência do Ano da Misericórdia, com a instituição das portas santas em vários santuários constituídos nas diversas áreas pastorais de nossa Arquidiocese. Jamais esqueceremos aquela experencia tão profunda, tão santa e cheia de piedade do povo de Deus, que faz a experiência de recomeçar.

Rendendo graças a Deus pelo o investimento pastoral e evangelizador do Processo de Canonização dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu.

Agradeço a oportunidade de poder participar constantemente das festas dos padroeiros, dos grandes momentos da Crisma e da dedicação de tantas Igrejas.

Desses encontros com o povo de Deus sempre saio mais fortalecido. Lembro da felicidade que sinto nas celebrações em Assentamentos, da reforma agrária, do MST, nas feiras e associações populares. Tenho sempre em mente as Palavras do Cristo: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”

Tenho me esforçado para semear a messe do Senhor com bons operários! Vejo que não podemos nos esquecer da reiterada advertência do Papa Francisco para toda a Igreja e para toda humanidade, depois desta pandemia, ou seremos melhores ou piores

Vejo com muito apreço e esperança para a vivência do ministério sacerdotal para a Igreja e para sociedade atual, a preocupação em descobrimos em que podemos manifestar essas mudanças, tentando nos desvencilharmos de tantos afazeres que muitas vezes nos impedem da vivência prioritária da graça do nosso ministério, que se tornará sempre  luz e sal da terra pela busca da humildade, do desprendimento dos bens materiais, do viver a simplicidade que aproxima, que vai ao encontro, que escuta com paciência, que perdoa com generosidade e que ama pela constância do serviço do sagrado, garantido o alimento da eucaristia que sustenta, da palavra que interpela, que indica o caminho.

Louvo, agora pela a graça de ter ordenado 100 padres para o serviço a Igreja e ao Povo de Deus:

Sendo em Caicó 32;

Em Campina Grande 35;

Em Guarabira 03;

E em Natal 30.

Saber que criei 52 paróquias:

sendo em 10 Caicó,

em 17 Campina Grande,

em 01 (uma) Guarabira

E em Natal 24 paróquias e mais 4 Áreas Pastorais.

Ressalto com gratidão os 25 anos da na nossa Escola Diaconal Santo Estevão, para a qual tenho dispensado todo o apoio e imprimido por meio de sua direção um processo de formação permanente, não somente para os candidatos que são acolhidos a cada ano, mas também para os que já são ordenados. E tenho a alegria de constatar que ordenei, aqui em Natal 35 diáconos permanentes.

Também tive a graça de Sagrar, como bispo, o meu irmão Dom Edilson Nobre, filho desde nosso querido clero arquidiocesano.

Neste reconhecimento das bençãos e graças de Deus para a nossa Igreja e para o meu ministério, com o coração ajoelhado diante de Jesus Cristo, o bom pastor, mestre e Senhor de nossas vidas, com olhar materno e proteção de Nossa Senhora de Apresentação manifesto os mais profundos sentimentos de gratidão e reconhecimento a todos que comigo participam deste momento, de modo presencial ou a distância, nas nossas paróquias, comunidades e serviços, pelas felicitações, pelas mensagens, pelo carinho, atenção e generosidade de dons, sobre tudo o grande presente das orações, a partir do nosso querido clero arquidiocesano, das nossas diletas e dedicadas religiosas, todos os fies leigos e leigas engajados.

A orquestra que com tanto amor, esmero preparou e ensaiou os cantos para nossa celebração

A Banda de Música da  Policia militar que me honrou com o dobrado que leva meu nome, minha gratidão

A graça o amor de Deus moveram a generosidade, a dedicação e o serviço de tantas pessoas, Tudo seja para a Glória de Deus!

Olhando para todo esse percurso rico de graças e bençãos posso dizer com sempre mais convicção: “SEI EM QUEM ACREDITEI”

OBRIGADO!!!

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