Ecologia Pastoral

Por Pe. Matias Soares
Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, Mirassol, Natal

Depois da Laudato Si, encíclica que trata sobre o Cuidado com a Casa Comum, a ideia de Ecologia começa tomar forma transversal também na teologia. Ela está muito ligada a concepção de integração e integralidade. Há a centralidade do Ser Humano nas preocupações ecológicas, mas também na ação pastoral da Igreja. O caminho da ação evangelizadora da Igreja é o Ser Humano.

No magistério eclesiástico, basicamente pós-conciliar, esta forma já era apregoada através da narrativa sobre a Pastoral de Conjunto. Essa linha de pensamento tinha na preocupação da Igreja sobre a necessidade dialógica com o mundo e também internamente. A categoria que fundamentava essa atenção interna era “comunhão”. A Igreja é o corpo místico de Cristo. Ela deve estar integrada misticamente. A Ecologia Pastoral não pode olvidar, na contemporaneidade, este dado espiritual e que responde aos anseios antropológicos da Posmodernidade. A Ecologia Pastoral exige dos sujeitos eclesiais uma atualização epistemológica que comprometa a estrutura eclesial a uma conversão pastoral e estrutural. Nas preocupações latino americanas de traduzir os ensinamento conciliares para a América Latina, já em Medellin, houve uma tendência para pensar mais as estruturas eclesiais e sociais. A CNBB, bem antes, teve a preocupação de lançar um Plano de Ação Conjunto para a Igreja do Brasil. Me parece que o significado acerca do que é Pastoral de Conjunto tem de tomar uma outra caracterização. Temos que aprofundar ideias que estão a construir a nova teia que está formar a configuração pastoral que a Igreja tem que entender e reconstruir, sem negar o essencial e estrutural.

A V Conferência de Aparecida nos trouxe enfaticamente um lugar teológico que nos permite ter um ponto de partida para avançarmos com esta preocupação, a saber: Discípulo Missionário. Todos nós devemos se-lo. Essa será a mola mestra de toda a Ecologia Pastoral. O Papa Francisco tem clareza do que é esta Ecologia Pastoral, mesmo sem dizê-lo explicitamente. Ela envolve toda a Igreja, pois ela exige a Conversão Missionária de todos nós. Sem esta mudança dos sujeitos eclesiais não haverá, como até hoje não existe, Pastoral de Conjunto, nem muito menos Ecologia Pastoral. A questão é: sem esta, não conseguiremos avançar pastoralmente. Continuaremos nesta Pastoral de Conservação que não corresponde mais aos anseios do Ser Humano contemporâneo, que tem na subjetividade a sua referencia comportamental.

O Plano Pastoral, ou Marco Referencial, deve ser pensado a partir desta perspectiva. Deve ser tratado e implantado a partir desta nova preocupação integrativa, dialógica e, tomando as preposições do Papa Francisco, misericordiosa. Temos que pensar esta questão. Não podemos dispensar em hipótese alguma a importância da oração e do estudo, ou seja, a formação permanente de todos os sujeitos eclesiais.

Por fim, o encontro que nos leva ao encantamento com o mistério de Cristo e sua Igreja tem que ser incentivado como busca constante, laboriosa e permanente, para que a nossa ação pastoral seja integradora e que promova a Ecologia Pastoral e, esta por sua vez, eclesialmente, seja a nossa Casa Comum. Assim o seja!

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