Evangelização Urbana e Superficialidade Pastoral

Pe. Matias Soares
Pároco da paróquia de Santo Afonso – Mirassol – Natal

As Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora para a Igreja no Brasil, da CNBB, trouxeram a questão da Pastoral no Mundo Urbano como um tema transversal. A cultura urbana é o nosso lugar teológico. É nosso objeto de observação, estudo e horizonte prático a ser focado.

A Igreja tem um grande terreno a ser explorado. Suas estruturas precisam de revitalização evangelizadora. Há muita dificuldade em partir das estruturas. Elas são obsoletas e passaram a ser só funcionais; isso graças ao estilo de evangelização que demarcou o nosso DNA eclesial desde o IV século da Era Cristã. A nossa organização e referência pastorais é sacramentalista. Ofertamos sacramentos, sem evangelização que converta. Nosso estilo não é querigmático. Na Alegria do Evangelho, o Papa Francisco retoma essa base; mas, ainda teremos muitos anos para “cairmos na real e deixarmos de ser iludidos”. Isso, claro, se nos convertermos pastoralmente.

Enquanto isso, a nova tentação é o lançamento na Pastoral Urbana da superficialidade e dos imediatismos pastorais. A preocupação é alimentar o “subjetivismo pós-moderno”. Muitas ações que não formam para a vida eclesial e comunitária; nem muito menos, que promovam conversão ao Evangelho. Essas posturas caracterizam-se por um “dinamismo superficial”. Sinal clarividente de mediocridade teológica e, em alguns casos, também de ganância e preenchimento de egos vazios e doentes psicologicamente, que são sinais de problemas humanos, espirituais e teológicos, existentes nos vários agrupamentos eclesiais.

A Igreja tem grandes questões a ser enfrentadas, não só fora; mas, antes de tudo, nas suas estruturas pessoais. Vejamos como alguns cristãos católicos estão recebendo as impostações pastorais do Papa Francisco. Eles não conseguem ter o alcance do que este Homem de Deus representa para o Mundo. Quem está fora é mais sensível e racional do que muitos que estão dentro da Igreja; isso porque são batizados. Em outra reflexão escrevi que o Papa Francisco é um Cristão e que a Igreja não estava preparada para ele; e confesso que o tempo está deixando-me mais convicto disto.

A Igreja não preparou-se para viver essa mudança de época e época de mudança. Isso é próprio dela, principalmente depois que deixou de ser a condutora dos poderes no Ocidente. Muitos dos seus filhos sempre procuraram, e ainda o fazem, atacar o Moderno. Existe uma infantilidade a ser superada. Muitos ainda não entenderam a mensagem positiva da Era do Esclarecimento. Tomaram só o negativo; não pincelaram o positivo. Falam sobre Fé e Razão; contudo, não as acolhem conjuntamente como as duas asas para o acolhimento da Verdade.

Por trás das construções pastorais, orientadas pelas Diretrizes, há esses dramas antropológicos e históricos. Tem que de fato investir não só no conhecimento intelectivo, este a Internet já oferece; mas também na sabedoria, que é fruto do “Discernimento”. O Papa Francisco pede essa prática espiritual para a formação dos futuros Presbíteros e, sem dúvida, para a Igreja como um todo. Temos que sair desta superficialidade desgovernada, superada e desconfigurada. Necessitamos aprofundar o significado do que somos e o que queremos como Igreja, na nossa vida pessoal e para fecundidade da nossa ação missionária e pastoral. Vamos enfrentar desafios. Façamos o caminho da sinodalidade. Isso não é um chavão. É algo exigente, que nos tornará fortes. Vamos em frente. Assim o seja!

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