Artigos › 08/09/2014

Governar com a sociedade

A sociedade brasileira anseia por governantes e legisladores compromissados com a democracia e com uma gestão republicana, plasmada nos valores da honestidade e da supremacia do interesse público, e centrada no respeito e na promoção da dignidade humana, especialmente dos que mais sofrem com a ausência das políticas públicas básicas de saúde, educação, segurança e oportunidade de trabalho. Já não há espaço nem paciência para ilusões, promessas inexequíveis ou planos meramente eleitoreiros. Não! O momento é gravíssimo. Exige uma atuação responsável. Exige liderança e capacidade para governar, de forma mais humanizada, com menos ganância de poder.  Não necessitamos de “salvadores da pátria”. Esses já foram experimentados e não deram certo, lembremo-nos! Precisamos, sim, de governantes e de legisladores humanos, feitos de carne e osso, que respeitam a pessoa humana e o exercício da cidadania dos eleitores.  Arriscar já não dar mais. O momento impõe ao eleitor maior responsabilidade em suas escolhas. Afinal de contas, os próximos anos da saúde, da educação, da segurança pública e das oportunidades de trabalho, para a maioria dos brasileiros, serão o  resultado da escolha de cada eleitor. Portanto, cuidado com os aventureiros da política! Eles brincam de fazer política. Ofertas no cenário eleitoral não faltam. Elegê-los, até como forma de protestar, significa enorme prejuízo para o País e o Estado, pois todos ficamos privados da participação dos que realmente assumem a atividade política como um serviço à cidadania, à sociedade, à democracia, ao Bem Comum. Urge escolher líderes verdadeiramente honestos e comprometidos com o Bem Comum. Líderes capazes de entender que o momento exige a participação ativa da sociedade na busca de soluções para os graves desafios que o tempo presente nos impõe. Uma participação legitimada e articulada nas organizações da sociedade civil que,  comprovadamente,  prestam serviço à coletividade sob a égide da supremacia do interesse público.

O relacionamento da sociedade civil com o Estado deve ser alicerçado no respeito mútuo, no reconhecimento da autonomia recíproca, motivado pelo princípio da cooperação. Isto porque a comunidade política e a sociedade civil, embora reciprocamente coligadas e interdependentes, não são iguais na hierarquia dos fins. É da essência da comunidade política estar a serviço da sociedade civil e, em última análise, das pessoas e dos grupos que a compõem (Cf. CIC, 1910). Por conseguinte, a sociedade civil não pode ser considerada um apêndice ou uma variável da comunidade política. Pelo contrário, ela tem a preeminência, porque é na mesma sociedade civil que a existência da comunidade política encontra justificação (Cf. CDSI, 418). De sua parte, o Estado deve gerar normas adequadas ao livre exercício das atividades dos sujeitos sociais, ancoradas no princípio da subsidiariedade, para orientar para o Bem Comum e a dialética entre as livres associações ativas na vida democrática.  Somente as relações que se instalam num clima cooperativo e solidário são capazes de superar as divisões ideológicas ou mesquinharias, estimulando a busca do que une para além do que divide. Portanto, a decisão está com o eleitor. Frente aos candidatos que se apresentam na atual campanha eleitoral, quais deles reúnem os melhores predicados  de uma verdadeira liderança?

Para a (re)construção do Estado em que vivemos e no qual estamos sofrendo as consequências do caos na administração e gestão pública, ter somente vontade política, não é suficiente. É preciso mais do que isso. O momento impõe capacidade politica e técnica, para oferecer a própria obra pessoal para o bem da comunidade em geral e, em particular, para o bem dos mais fracos e necessitados.

Diácono Francisco Teixeira

Assessor Jurídico da Arquidiocese de Natal

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