Destaques › 06/01/2021

Homilia de Dom Edilson Nobre por ocasião da missa jubilar de Dom Jaime

“Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”

 

(Foto: Brunno Antunes)

Quis a Providência Divina que nesta ocasião de louvor e gratidão a Deus pelos 25 anos de sagração do meu irmão no episcopado, Dom Jaime Vieira Rocha, eu pudesse vir aqui a esta amada Catedral de Natal para fazer uso da palavra e dirigir-me ao dileto povo de Deus que aqui se encontra, assim como aos demais fiéis que nos acompanham pelo sistema de comunicação da Arquidiocese de Natal.

Externo a minha gratidão ao querido Dom Jaime, pela confiança e pela deferência, ao convidar-me para esta missão de proferir a homilia nesta solene liturgia. Sinto-me extremamente lisonjeado! Tentarei falar não rebuscando os manuais teológicos sobre o episcopado. Procurarei, acima de tudo, falar de coração para coração.

Começo evidenciando os “flashes” que trago na memória daquele padre interiorano que, por volta dos anos 1984 a 1986, chegava da cidade de Pendências para abrigar-se em nosso Seminário de São Pedro, quando ainda funcionava na Rua Mipibu, para participar, creio que mensalmente, da reunião do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Natal. Naquela época, o então padre Jaime já nos despertava a atenção porque era um homem comunicativo e atencioso com os seminaristas. Isto nos permitia através destes sinais sentir nele a presença de Deus.

Posteriormente, no ano de 1987 este padre é nomeado pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Alair Vilar Fernandes de Melo, para ser o nosso Reitor no referido Seminário. Missão desafiadora que com maestria e sabedoria a desempenhou, encarando e superando os diversos obstáculos que na época surgiram no percurso da missão. A marca do seu ensinamento: “É preciso perceber os sinais dos tempos e agir corresponsavelmente pelo bem da Igreja e do povo de Deus”, dizia-nos ele. Neste ínterim, outras atribuições lhe foram dadas, mas, como falei, rememoro apenas alguns “flashes”.

Destacando-se na missão que lhe fora confiada, quis a Igreja que ele se entregasse ainda mais, desapegando-se de tudo o que havia construído em torno de si, como padre da Arquidiocese de Natal, para viver uma vida nova, uma nova experiência: assumir a condição de sucessor dos Apóstolos, para cuidar do rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo na Igreja Particular de Caicó, localizada na Região do Seridó. Tendo dito sim à Mãe Igreja, no ano de 1996, Dom Jaime foi ungido pelas mãos de São João Paulo II, em Roma, no ano de 1996, tornando-se, portanto, mais um membro do Colégio Episcopal. Este, tomou para si, como impulso para a sua missão episcopal, o lema: “Sei em quem acreditei” (2Tm 2,12). Estas belas palavras de São Paulo que revelam confiança irrestrita em Nosso Senhor inspiram e impulsionam este irmão prelado até os dias de hoje.  De fato, somente numa relação de confiança em nosso Senhor Jesus Cristo e na sua Divina Providência, é possível aceitar e abraçar tal missão.

No exercício do seu ministério, pela plenitude do Sacramento da Ordem, o prelado seguiu na direção do Seridó no Rio Grande do Norte em 1996 e lá permaneceu até o ano de 2005. Como a missão pede o desinstalar-se contínuo, ainda em 2005, o “pescador de homens” deixou o Seridó e foi à Paraíba para cuidar do Rebanho do Senhor entre as serras do Borborema, na Diocese de Campina Grande. Ali permaneceu até o ano de 2011. Neste interim, entre 2007 e 2008, foi nomeado por São João Paulo II Administrador Apostólico para a Diocese de Guarabira. Sendo a missão uma contínua itinerância, em fevereiro de 2012, Dom Jaime é designado para a Mitra Arquidiocesana na cidade do Natal, retornando, assim, à realidade de onde havia partido. Naturalmente, a mesma realidade geográfica, mas não a mesma realidade pastoral, pois, o tempo exige dinamismo, atualização, renovação, evolução.

Querido Dom Jaime! Passaram-se nove anos de presença ativa junto ao povo querido desta Arquidiocese: clérigos, religiosos, religiosas, consagrados, leigos e leigas das diversas pastorais, serviços e movimentos. Turbulências enfrentadas? Muitas! Eu sei disso, pois fui seu vigário geral e estive muito próximo à sua pessoa durante cinco anos. Mas, certamente, as alegrias experimentadas superam todas as adversidades e turbulências enfrentadas. Verdadeiramente, aquelas palavras de São Paulo que inspiram o seu lema de vida permanecem ressoando em sua consciência e em seu coração: “Sei em quem acreditei”.

Ao longo destes anos o senhor, Dom Jaime, tem procurado manter a identidade do bom pastor e sacerdote fiel. O Santo Padre, O Papa Francisco, numa ocasião em que se dirigia a novos bispos, escolhidos por ele para a missão, dizia: “Interrogamo-nos sobre a nossa identidade de pastores para ter mais consciência desta, mesmo sabendo que não existe um modelo-padrão idêntico em todos os lugares”, disse inicialmente o Santo Padre acrescentando que “graças à efusão do Espírito Santo, o bispo é configurado a Cristo Pastor e Sacerdote. É chamado a ter os lineamentos do Bom Pastor e a tomar para si o coração do sacerdócio, ou seja, a oferta da vida”. Como sabemos, o pastor não vive para si, mas está voltado a dar a vida pelas ovelhas, em particular, as mais vulneráveis e em perigo.

Falando aos bispos de territórios de missão, o Sumo Pontífice propõe três traços essenciais à pessoa do bispo, e estes traços eu os identifico na pessoa Dom Jaime: homem de oração, homem do anúncio e homem de comunhão.

São pertinentes os textos que ouvimos na liturgia de hoje, pois, eles ajudam a iluminar a vida e a missão de um pastor.

O profeta Isaías (61,1-3a) traça com muita precisão esta missão “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor… Dar aos que sofrem uma coroa, em vez de cinza, o óleo da alegria, em vez da aflição”. Esta missão Nosso Senhor Jesus Cristo a tomou para si e a designou para os que agem em nome dele. Assim, ela não pode jamais ser negligenciada por nenhum dos sucessores dos apóstolos de Cristo.

Se falamos que o bispo deve se configurar a Cristo o Bom Pastor, o evangelho de João 10,11-16 apresenta-nos os traços do bom pastor em contraposição ao mercenário. “O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas”.

Nestes 25 anos de seu pastoreio, Dom Jaime, daquilo que eu vi, senti e ouvi, posso testemunhar que o senhor tem sido um bom pastor, preocupado e atento às necessidades das ovelhas, de modo especial, as ovelhas mais carentes, sofridas e desanimadas. Nunca lhe tem faltado a preocupação de libertar o rebanho de Deus do domínio da escravidão e levá-lo ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude, ao contrário dos mercenários, cujo objetivo é só aproveitar-se do rebanho em benefício próprio. Este seu tempo de missão tem sido profícuo, fértil e de abundantes graças. Portanto, podemos assim cantar como o salmista “Oh, Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor” (Sl 88).

Que Nossa Senhora, a Virgem da Apresentação, continue sempre presente em sua vida, ajudando-lhe a proteger o rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje e sempre! Amém!

 

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras – PI

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