Artigos, Notícias › 26/02/2021

Maturidade eclesial

Por Pe. Matias Soares
Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório – Mirassol – Natal

Os tempos sombrios que estamos vivendo precisam ser iluminados pela nossa Esperança na ação de Deus na história. Como cristãos, não podemos esquecer que o Mistério da Páscoa só é celebrado a partir do Mistério da Encarnação. Como assinalavam os Padres da Igreja: “O que é redimido é o que fora assumido”. Os dois mistérios se completam para glória de Deus e a redenção do ser humano.

Por causa deste Único Mistério cada fiel iniciado na vida da graça e na sequela de Cristo é chamado a celebrar e testemunhar a fé de modo maduro e responsável. Era essa a mais tenaz preocupação da catequese catecumenal dos Primeiros Cristãos, principalmente até o IV século da nossa Era Cristã. Mais recentemente, a Igreja, depois do Concílio Vaticano II, tem tido a forte preocupação de fazer também uma Renovação da Catequese, tendo como referencial paradigmático o que era vivido pelos nossos predecessores.

Urge uma preparação das nossas comunidades para que sejam amadurecidas como cristãs e, outrossim, eclesialmente. Muitos dos problemas existentes nelas, que sempre existiram, mas que podem ser tratados de outro modo, tem no hiato de uma catequese mistagógica aprofundada e, por isso, eclesial, um dos fatores mais determinantes. Muitos fiéis têm uma experiência de fé muito rasa. Voltam-se mais para o secundário do que para o primário; permanecem mais no periférico do que no central; mais no acidental do que no essencial.

O que vivemos no estilo pós-moderno de se viver a fé é fruto deste estilo católico de ser cristão. Muitos não contemplam Jesus Cristo e a Igreja, na sua totalidade; mas mais o que pode ser atrativo aos sentidos de cada um. Alguns não olham a Verdade dos mistérios da fé na sua totalidade e unicidade; mas sim o que convém aos interesses particulares. Não há mística da Encarnação e da Páscoa de Jesus.

Vejamos do ponto de vista prático que vários não querem compromisso com o que é próprio aos valores do Reino de Deus. Isso tem se tornado mais comum na propagação cultural e territorial do que é do mundo urbano: Individualismo, indiferentismo, consumismo, hedonismo, materialismo, pragmatismo, virtualismo e tantos outros sinais de negação do Outro, com uma face e um nome, que não são reconhecidos.

No contemporaneo, com a pandemia e seu pós, outras névoas já estão e se sobreporão ainda mais a estas já elencadas. Outros desafios mais inquietantes nos interpelarão. As nossas estruturas da “fé acreditada”, que vínhamos transmitindo, com seus métodos e narrativas próprios terão que, mais uma vez, ser reinventados. Preparemo-nos para tentar formar cristãos amadurecidos, com mais liberdade e responsabilidade, em Jesus Cristo, para sua Igreja e para a vida no Mundo.

Enfim, como a Igreja precisou tomar ares novos no pós Segunda Guerra, com o Concílio Vaticano II; oxalá, tenhamos que viver outro, ou outros eventos, no depois desta famigerada pestilência, para que tenhamos cristãos católicos mais amadurecidos na fé e na dinâmica própria da vida da Igreja. Assim o seja!

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