Voz do Pastor › 01/10/2021

A missão é caminhar juntos

Prezados leitores/as,

Iniciamos o mês de outubro, mês missionário, mês importante para refletirmos sobre a dimensão missionária da Igreja, dimensão que é a base para o entendimento da sua natureza. Para este ano o tema do mês missionário é “Jesus Cristo é missão”, cuja inspiração bíblica é “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20). Viver o mês missionário não significa, no entanto, que lembramos dessa dimensão agora, como se antes não fossemos missionários. Pelo contrário, é momento para celebrar e revigorar mais ainda essa dimensão, o que na sua ausência, significaria desfiguração da mesma Igreja. Se a Igreja não é missionária, ela perde consistência e razão de ser.

A partir da grande assembleia sinodal latino-americana, realizada em 2007, em Aparecida, São Paulo, cujas conclusões e diretrizes pastorais foram assumidas e apresentadas no Documento de Aparecida, todos os batizados tomam consciência de que são “discípulos missionários”, de que essa realidade atinge a todos, leigos e ministros ordenados, religiosos e religiosas, homens e mulheres – todos somos discípulos missionários – e que isso provém do Batismo, da presença do único Espírito que nos configura ao Filho e ao seu Sacerdócio, caminho de santificação para a comunhão plena com Deus Pai.

A missão como dimensão provém da Trindade para a Igreja. De fato, o grande iniciador da missão é o Pai. Ele toma a iniciativa de “enviar” o Filho ao mundo. Essa realidade, expressa por São Paulo na carta aos gálatas (cf. Gl 4,4), já indica que a missão é precedida pela relação: o Pai envia seu Filho, o Filho amado. O que isso significa para nós? O que diz sobre nós? Em primeiro lugar, a vivência da missão é precedida por uma relação. Isso fica claro no ensinamento do Documento de Aparecida: somos “discípulos”, ou seja, pertencemos ao Mestre que, não somente nos ensina, mas se aproxima docemente de nosso coração, que nos coloca numa relação coração a coração, que nos possibilita entrar na mesma relação filial com o Pai. Tal relação de Deus conosco, relação mediada por Jesus, o Cristo e Filho de Deus, na presença do Espírito, é a que molda nosso coração, de tal modo que o que anunciamos aos outros leva-nos a pregar o projeto de Deus que é o de revelar que todos os homens e mulheres são chamados a viver essa relação com Ele. Somos missionários porque fomos assumidos como filhos. Somos missionários porque somos todos irmãos. E isso deve trazer para nós grande e infindável alegria.

A missão como dimensão leva a Igreja a ser luz para o mundo. Isso significa que a missão só pode ser entendida como serviço aos homens e mulheres. Não se trata de uma empreitada de organização burocrática ou de manutenção de estruturas que buscam poder, mas a realidade de trazer à humanidade a promoção da relação de todos com Deus, através de Jesus Cristo e na força do seu Espirito. Não é isso mesmo o que a Igreja vive tanto em sua liturgia, diaconia e no testemunho (“martyria”)? Não é isso mesmo o conteúdo do tríplice ministério de ensinar, santificar e reger? Não é esse o resultado dos pilares da evangelização: Palavra, Pão e Caridade? De fato, todas as nossas estruturas alcançarão sempre sentido e razão de ser se se colocarem como animadas e significadas a partir da missão evangelizadora advinda do mandato de Jesus ressuscitado (cf. Mc 16,15).

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