Voz do Pastor › 05/11/2021

A santidade de Deus é comunicativa

Prezados leitores/as!

“O Brasil precisa de santos, de muitos santos” (São João Paulo II, na Homilia da missa de encerramento do XII Congresso Eucarístico Nacional, em Natal, 13 de outubro de 1991). Essas palavras do santo Papa, em Natal, ecoam ainda hoje como exortação para que vivamos a vida de fé, de esperança e de caridade, na comunhão de vida e de missão na Igreja e na sociedade.

Neste domingo, 7 de novembro, a Igreja celebra o dia de Todos os Santos. Neste dia, “celebramos a cidade santa, a Jerusalém celeste, nossa mãe, onde os nossos irmãos, os santos, louvam eternamente o Pai” (MISSAL ROMANO. Prefácio da Solenidade de Todos os Santos). O ensinamento da Igreja nos exorta sobre a relação que existe entre os santos que aqui vivem e os que já estão na glória. Na liturgia, há um momento especial de vivência dessa relação: “enquanto a multidão dos anjos e dos santos se alegra, eternamente na vossa presença, nós nos associamos aos seus louvores, cantando (dizendo) a uma só voz: santo, santo, santo…”. Assim, toda vez que participamos da Eucaristia, nós nos juntamos àqueles que já vivem a santidade completa. Eis que, ao celebrarmos o dia de Todos os Santos, estamos proclamando a nossa esperança de que um dia também nós faremos parte da Jerusalém celeste, a nossa mãe.

Podemos perguntar: o que é ser santo? Em primeiro lugar, a santidade não é algo que conseguimos obter por nossas próprias mãos. Ninguém consegue ser santo. Na verdade, nós somos santificados por Aquele que é santo. Isso já aprendemos no Antigo Testamento, quando entendemos que a santidade de Deus (o El Kadosh), é comunicativa, isto é, Israel compreendeu que ao se aproximar do ser humano, o Deus santo santifica o povo. Essa aproximação aconteceu de modo infalível em Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, isto é, o santo de Deus. Ser santo significa viver da memória do Salvador, deixar-se conduzir por Ele, ser imitador de Cristo.

Viver da memória do Salvador é viver no seu mandato de celebrar a Eucaristia, de viver a Eucaristia e ser Eucaristia para os irmãos e irmãs. Porque nós celebramos a doação de Cristo pela salvação da humanidade, então, o que celebramos torna-se realidade vital para a nossa existência. A santidade consiste em doar-se como Cristo, sabendo que o poder do dom é o poder da misericórdia e da compaixão. Doar-se, significa amar o outro, buscando o bem do outro. É o que Jesus fez, é o que nós somos chamados a fazer. Para ser santo é preciso deixar-se conduzir por Cristo. É seguir o seu Evangelho, sine glossa, como dizia São Francisco: o Evangelho puro, na sua radicalidade, sem subterfúgios, sem compromissos escusos, isto é, viver o mandamento do amor e tornar-se amor para os outros. Ser santo significa imitar Jesus. Somente sendo como Ele, é que é possível ser santo. E como Jesus foi? Em síntese, Jesus foi misericordioso e assim, mostrou-nos o rosto misericordioso do Pai. Imitar Jesus, ser santo, é ser misericordioso como o Pai.

A Solenidade de Todos os Santos nos lembra que a esperança da vida eterna é parte intrínseca da fé cristã, isto é, a santidade de Deus que se comunica aos homens e às mulheres, significa que Deus criou-os para que vivessem com Ele. Eis a grande mensagem desses dois dias: morremos para vivermos para sempre. De fato, podemos fazer nossa a palavra de um grande teólogo alemão: “no fim, o início” (Jürgen Moltmann). Na verdade, a palavra de Deus nos garante: somos todos esperados para vivermos na santidade de Deus, isto é, na vida eterna, na vida plena.

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