Voz do Pastor › 02/10/2020

A vida é missão

Caros irmãos e irmãs!

Iniciamos o mês de outubro, mês das missões. Esse ano o tema: “A vida é missão” e o lema: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). O tema desse ano tem sua inspiração na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, de Papa Francisco, publicada em 2013. Na sua primeira Exortação apostólica, publicada como “programa de Pontificado”, o Papa expressa essa grande intuição: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo” (n. 273). E, ainda, na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre a santidade no mundo atual, afirma, citando um filósofo espanhol, Xavier Zubiri: “não é que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão” (n. 27). Com essas importantes inspirações, a Igreja no Brasil exorta a todos os católicos a que assumam ou se deixem incentivar mais e mais na missão, pois essa realidade não é um fator facultativo ou dispensável, mas da natureza mesma da Igreja.

A missão é a vida mesma da Igreja. E ela acontece ou existe na vida de todos os batizados. Já São Paulo reconhecia que a sua missão é um ato transcendental, ou seja, antes mesmo de sua existência Deus, o Pai, o escolheu para anunciar o Evangelho: “Quando, porém, Àquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça, agradou revelar-me o seu Filho, para que eu o anunciasse…” (Gl 1,15s). Ele foi predestinado a isso (cf. Ef 1,4). Bom e confortante seria se pudéssemos dizer isso a todas as pessoas: “não nascestes para o mundo, para ser escravos da mundanidade; fostes predestinados para que a vida fosse vivida em Deus”. Por isso, é bom sempre lembrar o que já faz parte da consciência da Igreja, desde o Concilio Vaticano II, passando pelas preciosas intuições do Documento de Aparecida (2007): toda a Igreja é missionária. Todos são missionários: o Papa, os bispos, os presbíteros, os diáconos permanentes, as religiosas e os religiosos, os leigos e leigas, engajados e consagrados. A missão toca a todos. Não há ninguém que esteja fora da missão.

Também deve-se reconhecer: a missão não é um peso. Dela não se diz que é como uma meta de desenvolvimento profissional, ou que é fruto do alcance de quotas para uma retribuição material e financeira, ou que é como pré-requisito para se ganhar um prêmio. A missão é fruto da gratuidade do amor misericordioso do nosso Deus. É Ele que toma a iniciativa de “enviar” em missão o seu Filho e o seu Espírito (cf. Jo 3,16; Gl 4,4-6). Missão significa: testemunhar o Evangelho da graça de Deus (At 20,24). Para a missão é preciso ter um coração livre e disposto a aceitar o amor de Deus, dado gratuitamente. É por causa da gratuidade desse amor que a missão é um louvor à vida, um hino de gratidão pela Criação, um ato de assumir a defesa da vida e da Casa Comum. Deus, ao nos chamar para a missão, deseja que compartilhemos o que recebemos: perdão, reconciliação, vida nova. Daí que ser missionário e ser defensor e cuidador da Casa Comum, defender a vida, não só na concepção e no fim natural, mas também em todos os momentos da vida e da história das pessoas, sua dignidade diante das necessidades básicas e fundamentais, não estão em contradição. A Missão nos indica que fé e vida estão intrinsecamente unidos, de tal forma que não se pode anunciar o Evangelho sem que essa não seja a Boa Nova, libertadora e plasmadora da vida.

Diante do chamado do Senhor, diante da necessidade e urgência de viver o sentido pleno de “Igreja”, qual a nossa resposta? Pois, é verdadeira e cativante essa exclamação: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossas palavras e obras é nossa alegria” (Documento de Aparecida, 29). Que a nossa resposta ao bom Deus e Pai seja: “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8).

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