Voz do Pastor › 01/11/2019

A vida não é tirada, mas transformada

Queridos irmãos e irmãs!

A Igreja, no dia 2 de novembro, celebra todos os fiéis defuntos. É bem verdade que, todas as vezes que celebra o Mistério Pascal de Cristo na Eucaristia, a Igreja lembra os mortos: “Lembrai-vos também dos que morreram na paz do vosso Cristo e de todos os mortos, dos quais só vós conhecestes a fé” (MISSAL ROMANO. Oração Eucarística IV). É uma recordação cheia de confiança e de esperança. Para os que creem a morte não é a última palavra. Desde que Cristo ressuscitou dos mortos, os crentes têm a esperança de que também eles irão ressuscitar. Essa é profissão de fé que São Paulo nos transmitiu (cf. 1Cor 15,3-58).

Também a Igreja professa a esperança na vida eterna: “Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo… A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente ‘morto em Cristo’, para viver de uma vida nova. Se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este ‘morrer com Cristo’ e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor” (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 1010). Ela também lembra, na sua Liturgia, confessando a fé no Deus da vida: “E, quando pela desobediência perderam a vossa amizade, não os abandonastes ao poder da morte, mas a todos socorrestes com bondade, para que, ao procurar-vos, vos pudessem encontrar” (MISSAL ROMANO, op. cit). É porque Deus é o Deus amigo da vida (cf. Sb 11,26), é o Deus dos vivos e não dos mortos, nós esperamos que a vida vença sempre a morte. E ainda, não se trata de uma esperança vaga, abstrata, mas de uma certeza, proveniente do evento de salvação, realizado em Jesus Cristo, na força do Espírito. Cristo ressuscitou, nós vamos ressuscitar!

No Concílio Vaticano II, a Igreja assim se expressou: “A fé cristã ensina que a própria morte corporal, de que o homem seria isento se não tivesse pecado – acabará por ser vencida, quando o homem for, pelo onipotente e misericordioso Salvador, restituído à salvação que por sua culpa perdera. Com efeito, Deus chamou e chama o homem a unir-se a Ele com todo o seu ser na perpétua comunhão da incorruptível vida divina. Esta vitória, alcançou-a Cristo ressuscitado, libertando o homem da morte com a própria morte” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, n. 18).

O Catecismo da Igreja Católica apresenta três componentes de sua visão da morte: 1) a morte é o término da vida terrestre (n. 1007); 2) A morte é consequência do pecado (n. 1008); 3) A morte é transformada por Cristo (n. 1009). Não é necessário, nem é possível aqui, comentar esses três aspectos. Quero apenas sublinhar que o terceiro, a morte transformada por Cristo, é o ponto determinante da nossa fé na ressurreição e, também, fonte de esperança. De fato, a morte foi vencida na cruz redentora. Com a ressurreição de Cristo nova vida se fez realidade. Assim como, Ele se assemelhou a nós, sendo concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, também realiza para nós a semelhança com a sua glória, através da nossa ressurreição, participação na sua ressurreição.

Diante do mistério que envolve a morte, proveniente dos outros dois aspectos, morte como coisa natural, morte como consequência do pecado, a transformação da morte por causa da Cruz e da Ressurreição do Senhor, é a grande mensagem de esperança para o sofrimento que a morte causa. Não e preciso dizer que chorar seria fraqueza, antes, é sentimento belo e ternamente humano, mas a mensagem de que a vida não é tirada, mas transformada, indica que a nossa vida foi assumida e é aceita pelo Deus da vida. E, se assim não fosse, Ele mesmo não a teria criado (cf. Sb 11,22-26). E isso, completa, no que diz respeito a nós, o eterno plano de amor de nosso bom Deus e Pai.

 

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