Voz do Pastor › 25/12/2020

É Natal! Vamos sonhar juntos?

Prezados leitores (as),

Hoje é Natal. A Igreja e a humanidade se alegram pelo nascimento do Filho de Deus, feito homem na carne virginal de Maria. O nascimento de Jesus moldou a história da Humanidade, incidiu no comportamento humano, trouxe beleza à beleza da arte, possibilitou o surgimento de uma ética da valorização do ser humano, infundiu esperança nos corações, animou o sentido da vida, desde a concepção até ao fim natural da existência humana.

Os relatos do nascimento do Filho de Deus colocam-nos diante da exposição de um projeto de vida, de comunhão, de salvação. Deus mesmo desce para ficar conosco (cf. Pr 8,31; Jo 1,14). Ele quis habitar entre nós, quis armar sua tenda no meio de nossas tendas. No Natal, não nos armamos contra os outros, contra os que não aceitam quem é Jesus como nós aceitamos. Pelo contrário, a partir da vinda do Salvador todo ser humano ganha um novo rosto, todo homem e toda mulher são assumidos por Deus como filhos e filhas. Por isso, celebrar o Natal é celebrar a fraternidade universal. Ele veio para nós, nasceu para nós (cf. Lc 2,11), torna-se nosso, como nós já somos dele, porque “nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis” (Cl 1,16). Essa comunhão de vida que o Filho de Deus estabelece conosco nos faz homens e mulheres da graça, do encanto, da maravilha, da paz e da alegria. É bem verdade, tudo isso parece distante, pois sentimos envoltos na treva do pecado, do egoísmo, da indiferença, da insensibilidade. Mas, é fonte de vida nova, não cessa de correr em nossas veias, em nossos corações, não diminui nem acaba. Celebrar o Natal significa que nós cremos na vinda do Filho de Deus e

Se o nosso coração está pesado, se as coisas parecem envolvidas na escuridão, é momento de rasgar o nosso coração. É momento de romper as trevas da desesperança, do medo, do comodismo que nos deixa inerte e sem vida. Sim, Cristo é vida para nós. E, ao nos tornarmos seus discípulos e discipulas, nós nos tornamos vida para os outros. Nisto consiste a salvação trazida por Ele: não somente somos libertados do pecado e do mal, mas somos libertados para a vida e o bem. Eis o que o Natal significa: Deus mesmo vem destruir o mal. A nossa repulsa ao mal, a nossa rejeição a tudo o que traz desconforto ao nosso coração, o que pesa na nossa consciência de homens e mulheres, criados à imagem e semelhança de Deus, não é deixada sozinha para o combate. Ele mesmo, o resplendor da glória e expressão da substância divina, Ele que sustenta o universo com o poder de sua palavra (cf. Hb 1,3), Ele mesmo vem trazer vitória sobre o mal, apaziguar nosso coração e trazer leveza à nossa consciência.

Não deixemos que o tempo em que vivemos, marcado pela pandemia, com tudo o que se torna angustia, medo, ansiedade, tristeza por não poder estar com muitos, senão todos, os nossos familiares e amigos, para celebrar a alegria da comunhão de Deus conosco, no Natal, não deixemos que isso apague a luz da esperança que o Menino Deus traz aos nossos corações. Vamos sonhas juntos! Esse é o convite do nosso amado Papa Francisco. Sim, parece um sonho irrealizável. Mas não é. Olhemos, contemplemos o mistério cheio de ternura do nosso Deus, vindo habitar em nosso meio. E tenhamos esperança. “Quando a tempestade tiver passado e as estrelas estiverem amansadas e nós formos sobreviventes de um naufrágio coletivo… e daremos um abraço ao primeiro desconhecido e louvaremos a sorte de conservar um amigo… quando a tormenta passar, peço-lhe Deus, envergonhado, que nos torne melhores, como nos tinha sonhado” (Poema “Esperança”, de Alexis Valdés. Citado por Papa Francisco em Vamos sonhar juntos. O caminho para um futuro melhor. Intrínseca/Paulus, Rio de Janeiro, 2020, p. 149-150).

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