Voz do Pastor › 09/10/2020

Encíclica Fratelli tutti: um hino à fraternidade e à amizade social

Assinada em 3 de outubro, na cidade de Assis, na Itália, cidade de São Francisco, e publicada no dia 4 de outubro, memória litúrgica do santo que inspirou o nome do Papa atual, a Carta Encíclica “Fratelli tutti”, a terceira do Papa Francisco, tem como tema principal a “fraternidade e a amizade social”.

A primeira grande afirmação da Encíclica, tirada de textos do Santo de Assis, dá o sentido pleno do que o ensinamento de Papa Francisco, baseado sempre no Evangelho de Jesus Cristo, assumido para toda a Igreja, desde os tempos apostólicos, retomado e atualizado pelo Concílio Vaticano II e pelas Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano, especialmente Medellín (1968), Puebla (1979) e Aparecida (2007), tem de força e vigor para toda a Igreja: para “viver uma forma de vida com sabor de Evangelho”, é preciso amar e tratar a todos como “irmãos e irmãs”, e nisso consiste a felicidade: “Bem-aventurado servo que tanto ama e respeita seus irmão quando [este] estiver longe dele como quando estiver com ele; e não disser por trás dele aquilo que, com caridade, não pode dizer diante dele” (Admoestações, 25: Fontes Franciscanas e Clarianas, Vozes, Petrópolis, 2004, p. 103). A citação, a que dá o título da Encíclica, “Tutti fratelli”, se encontra na Admoestação 6,1 (edição brasileira, p. 98).

A Encíclica consta de uma introdução (nn. 1 a 8) e oito capítulos. No oitavo capítulo, o Papa Francisco conclui a Encíclica, primeiro  com uma citação do Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum, assinado em Abu Dhabi, em  4 de fevereiro de 2019, assinatura feita pelo Papa Francisco e o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, quando de sua visita aos Emirados Árabes Unidos, em 2019 (FRANCISCO. Carta Encíclica Fratelli tutti, n. 285). Essa inspiração se deveu ao motivo de sua visita e da própria assinatura do Documento: “[Deus] criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos”. E termina a Encíclica com duas orações: “Oração ao Criador”, “Oração cristã ecumênica” (FRANCISCO. Op. cit., n. 287).

Assim como na Encíclica Laudato si’, também Fratelli tutti, é inspirada em São Francisco. Não somente com as palavras que dão titulo aos dois documentos papais, tiradas de escritos franciscanos, mas o que é central na vida, na história e na espiritualidade do santo italiano. “Este Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à fraternidade e à amizade social. Com efeito, São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne” (n. 2). Se em Laudato si’ o Papa Francisco chamava a atenção para o respeito e o cuidado com a Casa Comum, em Fratelli tutti a atenção se volta para o que é essencial para que esse respeito e cuidado aconteçam: a fraternidade e a amizade social. De fato, estão intimamente ligados cuidar da natureza e cuidar do irmão. E, para curar-nos de “um mundo fechado com suas sombras’ e conflitos, o Papa apresenta a parábola do bom samaritano, expressando sua convicção de que “qualquer um de nós pode deixar-se interpelar por ela, independentemente de suas crenças” (n. 56).

A parábola do bom samaritano nos instiga e leva-nos a “gerar um mundo aberto”, onde ninguém se ache um estranho. Ao concluir sua meditação sobre a parábola, o Papa Francisco afirma que a Igreja deve seguir esse mesmo caminho de geração de um mundo aberto; “é importante que a catequese e a pregação incluam, de forma mais direta e clara, o sentido social da existência, a dimensão fraterna da espiritualidade, a convicção sobre a dignidade inalienável de cada pessoa e as motivações para amar e acolher a todos” (n. 86).

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