Voz do Pastor › 27/09/2019

Mês Missionário Extraordinário

Queridos irmãos e irmãs!

Na próxima semana, iniciaremos o mês de outubro, esse ano convocado pelo Papa Francisco como “Mês Missionário Extraordinário”. Com o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”, e com um objetivo claro: “despertar em medida maior a consciência da missão ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. Uma transformação missionaria da vida e da pastoral que nos leve a todos ao reconhecimento de que a Igreja é missionária por natureza.

O apelo do Papa Francisco, com o Mês Missionário Extraordinário, acontece na dinâmica da necessidade da conversão pastoral, desejada pelo Documento de Aparecida, expressa nas últimas Diretrizes gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2015-2019, DGAE 2019-2023), como fruto da renovação eclesial iniciada pelo Concílio Vaticano II, com sua reforma litúrgica, a re-valorização do laicato, sobretudo, retomando a doutrina patrística do “sacerdócio comum dos fiéis”, a urgência de apresentação de um ministério ordenado que seja imitação de Cristo, servo de todos, a restauração do diaconado permanente, especialmente para homens casados, a necessária colegialidade episcopal e a sinodalidade como caminho normal da vida da Igreja, e ainda, a visão mais otimista em relação ao mundo, não mais visto como lugar de pecado, mas como espaço da ação criadora, redentora e iluminadora realizada pelo Deus Transcendente, que se faz o mais Próximo do ser humano.

A Igreja proclama a ação do Espírito Santo no mundo. Devemos reconhecer que o pecado traz trevas e ofende a Deus. Mas, o que seria de nós, da Igreja e do mundo, se não proclamássemos a infinita e superior graça redentora? Se estivéssemos diante de um fracasso total de Deus, como sustentar que a nossa mensagem mereceria o nome de “Evangelho”? Não, nós anunciamos que o Crucificado venceu e que nos faz participar de sua vitória. A missão da Igreja é a de confiar no Espírito Santo. Essa confiança não é criada ou medida ou sustentada nem pelo dinheiro nem pela força bruta nem pela beleza de nossas boas obras. Ela é o próprio Deus presente em nós, dado a nós, gratuitamente, fortalecendo-nos pela PALAVRA que convoca, que dialoga, que age, que espera, que se une ao nosso ser, frágil e pecador, sim, mas feito capaz de se abrir ao agir misericordioso de Deus. E assim, a Igreja é nutrida pelo PÃO, Corpo de Cristo, a Cabeça que se une aos membros, formando o Cristo total, Cabeça e membros, vivendo a CARIDADE como norma indispensável e critério de discipulado, com sua AÇÃO MISSIONÁRIA para consolar e dar esperança a todos.

A missão da Igreja é proclamar a misericórdia de Deus. Não como sentimento abstrato, não como reação a um deslize qualquer do ser humano, mas como atributo máximo de Deus (Santo Tomás de Aquino), como fruto do amor divino (Santa Maria Faustina Kowalska), como o próprio Deus próximo do pecador. Mas, isso não é a própria revelação divina? O que vemos no Antigo Testamento? O Deus que se revela manifesta que quer se unir ao homem e à mulher para que estes encontrem a vida. No tempo do Advento e do Natal, a Igreja proclama, celebrando a sua fé: “Ele [o Filho de Deus] tornou-se o que nós somos, para que pudéssemos ser o que ele é”. Isto significa: Deus quis ser Homem para que o homem soubesse de sua altíssima vocação: ser filhos no Filho. E mais: a revelação divina nos mostra que Deus é da parte do homem, preocupa-se com o destino do ser humano, não rejeita a sua obra, cria por amor, conserva na existência por amor, destina à plenitude por amor (cf. Sb 11,22–12,1).

Vivamos esse mês missionário com empenho e com muita ação de graças, pois Deus nos chamou para anunciar a boa nova da graça redentora de seu Filho, alegria e salvação do gênero humano.

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