Voz do Pastor › 13/11/2020

“Nos mares revoltos da vida, temos a Mãe da Apresentação a interceder”

Queridos irmãos e irmãs!

Com essa afirmação de fé e confiança na intercessão da Mãe do Senhor, a nossa Padroeira, Nossa Senhora da Apresentação, apresento a Festa da Padroeira de Natal e de toda a Arquidiocese. E a confiança se torna mais forte ainda quando recordamos aquela frase que estava no caixote onde se encontrava a imagem de Nossa Senhora: “Aonde esta imagem chegar nenhuma desgraça acontecerá”. É bem verdade, este ano a nossa vida está envolvida nos mares revoltos da pandemia, do sofrimento, da perda, da morte de tantos pessoas que amamos, que conhecemos, e também dos que não conhecíamos e que eram pessoas dedicadas ao próximo, especialmente os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, auxiliares técnicos, responsáveis pela limpeza e pela burocracia e organização administrativa.  Minha atenção também para com aqueles que, não sendo profissionais de saúde, foram acometidos pelo coronavírus.

Mas, somos chamados a refletir sobre tudo isso. Não só porque estamos na dificuldade, não só porque estamos sofrendo. De fato, há uma lei que, com muito esforço e trabalho, devemos atentar: “se não aprendemos com amor, aprendemos na dor”. Não é de hoje que a Igreja nos alerta para uma vida digna e de respeito aos direitos fundamentais da condição humana: saneamento básico, educação, segurança, respeito pela liberdade, mas, sobretudo, a saúde, pois sem saúde não vamos para frente. Sim, temos a fé, mas a nossa fé não significa desprezo ou desatenção à cooperação da sociedade, da colaboração do cidadão, dos princípios da subsidiariedade, da politica como alta forma de caridade, como afirmam Bento XVI e Francisco. A fé não nos deixa inertes ou acomodados. A fé instiga, conduz sempre à ação, especialmente à caridade. E é essa mesma fé que nos diz para seguir com confiança na ação misericordiosa e cheia de compaixão de nosso Deus.

Cheios de fé, animados pela Palavra de Deus e confortados pelo sentido de devoção que temos para com a Mãe de Jesus, somos convocados a celebrar a graça de Deus que envolveu a aquela que foi escolhida para ser a Mãe do Senhor. A Igreja é convocada a dar graças ao bom Deus, proclamando as maravilhas divinas na perfeição de todos santos (MISSAL ROMANO. Prefácio da Virgem Maria II). E a perfeição dos santos, de modo especial a de Nossa Senhora, é participação na graça amorosa de Deus que, em Jesus Cristo e no Espírito Santo, envolve-nos, abençoando e santificando-nos.

Quando falamos de intercessão lembramos os sinais deixados na tradição da Palavra de Deus sobre a vida e a missão da Virgem Maria: Ela é a Mãe solícita pelo sofrimento dos filhos e filhas de Deus (cf. Jo 2,1-11), é a Bem-aventura porque acreditou e confiou na Palavra de Deus (cf. Lc 1,39-45) e a Bem-aventurada que louva a ação misericordiosa de Deus (cf. Lc 1,46-55), ela é templo de esperança e consolação, e nos lembra que o templo de pedra é espaço de celebração dessa mesma esperança. Maria foi chamada a compartilhar a missão do Filho (cf. Lc 1,26-38) e que, por isso mesmo, é Mãe que acompanha a vida dos discípulos missionários de seu Filho (cf. Jo 19,25-30). Ela é exemplo de vida de oração como a Mulher orante junto à comunidade de fé (cf. At 1,9-14) e nos ensina a perseverança na ação redentora do Filho de Deus (cf. Ap 12,1-6.13-17). Por fim, Maria, é intercessora sob a força do Plano de Salvação para os homens e as mulheres (cf. Rm 8,28-37).

Que a Festa de nossa padroeira, Nossa Senhora da Apresentação anime nossa fé, nossa caminhada como Igreja de peregrinos. A novena, a oração do Terço, os louvores à Nossa Senhora, e a participação dos fiéis, mesmo com um número reduzido, traga para todos nós confiança, paz e alegria.

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