Voz do Pastor › 11/10/2019

Nossa Senhora Aparecida, o Sínodo e a missão

Queridos irmãos e irmãs!

Dentro da dinâmica do mês missionário, além de celebrarmos aquela que é a padroeira das missões, Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória foi no dia 1º de outubro, celebramos amanhã, dia 12, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Que façamos uma súplica de intercessão a nossa Padroeira, pelo Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, a fim de que todos se sintam preocupados com aquela região tão importante e benéfica para o ecossistema. Não esqueçamos: foi Deus quem criou as florestas, os rios, os biomas. E ele nos deu a missão de cuidar da natureza, da casa comum, espaço onde acontece sua revelação, onde realiza seu desígnio de amor e de salvação.

A Mãe de Jesus é o modelo do que a vida do missionário significa. De fato, podemos contemplar a figura da Virgem Maria no caminho do discipulado missionário. Como? Em primeiro lugar, e isso é fundamental para a compreensão correta do que é ser missionário: a vida da virgem Maria é toda ela pensada por Deus em vista da sua missão de mãe do Filho de Deus. Ser pensada por Deus, antes mesmo de iniciar a existência, é o que são Paulo nos ensina na Carta aos Efésios: “nele [em Cristo], Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor” (Ef 1,4). Reconhecer que nós fomos predestinados para a vida em Cristo com Deus (cf. Cl 3,3) é condition sine qua non para o sentido da missão. Do contrário, estaríamos errados se pensássemos que a nossa missão significa algo que parte de nós. É necessário ver que em nenhum momento seguir Jesus é uma decisão que parte do discípulo. Se o discípulo não é chamado pelo Mestre não há discipulado (cf. Lc 9,57-62: só se pode seguir quando é chamado, além do que o chamado não admite condições).

Em segundo lugar, missão não pode ser pensada como unicamente voltada para uma ação. É claro que existe a funcionalidade da eleição divina, e isso já presente no Antigo Testamento, como por exemplo, o sacerdócio, a realeza e o profetismo. Ninguém é chamado para si mesmo, mas sempre em direção ao povo de Deus. Mas, isso não quer dizer que haja da parte de Deus uma espécie de “instrumentalização do missionário”, como se Deus apenas usasse o homem e depois que ele faz o que Ele quer, o despede. Jamais isso acontece. A Mãe de Jesus antes de ser fecundada no seio virginal é tornada Imaculada, isto é, aquela que é predestinada a ser a Mãe do Senhor, é antes disso, envolvida pelo Espírito de Deus, tornada cheia de graça. Deus mesmo se faz o horizonte da virgem Maria. Assim, devemos reconhecer: Deus mesmo se faz presente na nossa vida e isso torna possível a missão. Não somos missionários e por isso Deus nos ama. Deus nos ama e por isso nos faz missionários. A missão é uma realidade que se sustenta na gratuidade divina e é consequência do amor divino. Somente assim é que podemos ser missionários e não “comerciantes do divino”.

Assim como Deus não nos instrumentaliza, também nós podemos instrumentalizar Deus. Um grande pensador cristão, o ítalo-germânico Romano Guardini afirmava a necessidade de não prender Jesus, isto é, quem protege Jesus de nós? Quem o salva da astúcia do nosso próprio eu, que faz de tudo para não colocar-se à sua sequela? A missão não consiste em tornar Jesus ou Deus uma espécie de propriedade nossa. Deus não se torna um produto adquirido por nós quando temos fé, ou seja, quando somos missionários de Jesus Cristo. De fato, a verdadeira atitude do discípulo missionário é esta: como Maria, somos convidados a nos jogar nas mãos amorosas e cheias de ternura do bom Deus e anunciar a todos que Deus é Deus de todos e para todos.

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