Voz do Pastor › 18/08/2014

O Evangelho da família

Queridos irmãos e irmãs!
No próximo mês de outubro, em Roma, acontecerá a III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Não é a primeira vez que a Igreja trata do tema da família. Em 1980 foi realizado um Sínodo sobre a família, que resultou na publicação da Exortação apostólica Familiaris consortio, dando um impulso forte à pastoral familiar.
Agora, seguindo as preocupações do Papa Francisco com a situação da família, o Sínodo dos Bispos tratará do anúncio do Evangelho da família diante da crise cultural, social e espiritual dos dias atuais. Por ser núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial, o tema do Evangelho da família se coloca em continuidade com a assembleia sinodal sobre o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã” e o “Ano da fé”, proclamado pelo Papa emérito Bento XVI. Recentemente foi publicado o Instrumentum laboris, isto é, o instrumento de trabalho que os bispos usarão no Sínodo, um guia para as discussões e os trabalhos sinodais. Mas, o tema da família será tratado em duas etapas, realizando um caminho sinodal que compreende 2014 e 2015, quando será celebrada a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. No caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco foi publicado no mês de novembro passado um Documento Preparatório com oito grupos de perguntas relativas ao matrimônio e à família. As respostas foram enviadas à Secretaria do Sínodo. Elas são apresentadas e comentadas no Instrumento de trabalho, que retoma as oito temáticas apresentadas no questionário.
Qual é, pois, o Evangelho da família? Em síntese é o que a Revelação divina apresenta: Deus que cria o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, cria para o acolhimento recíproco, no reconhecimento de que foram feitos um para o outro, colaboradores de Deus no acolhimento e na transmissão da vida, na preservação da criação e no crescimento da família humana. A tradição bíblica ressalta a beleza do amor humano como espelho do amor divino. Com Jesus se revela ainda mais a grandeza desse amor e sua relação com Deus. Ele viveu e cresceu na família de Nazaré, participou das bodas de Caná, apresentou-se como o esposo que une a si a esposa, na Cruz e na Ressurreição, entregou-se com amor até o fim e estabeleceu novas relações entre os homens. Jesus renova o desígnio originário de Deus ao lembrar o princípio da fidelidade (cf. Mt 19,4-6, onde se vê que Deus os uniu numa só carne, homem e mulher), chamando os homens e as mulheres a reconhecerem que “a medida divina do amor conjugal tem a sua nascente na beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado, coração do Evangelho” (Sínodo dos Bispos. Instrumentum laboris, 2).
Recomendo a todos os presbíteros, diáconos e leigos, e, sobretudo aos agentes da Pastoral Familiar, a leitura desse documento do Sínodo, o Instrumentum laboris, que se encontra nas nossas livrarias católicas, para que se inteirem do ensinamento da Igreja e proclamem com força o Evangelho da família, manifestação do amor de Deus pelo homem e pela mulher.

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo metropolitano de Natal

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