Voz do Pastor › 17/07/2020

Os cristãos leigos e leigas

Prezados leitores/as,

Neste tempo de pandemia, em que vivemos a experiencia de ficar em casa, com os nossos encontros presenciais cancelados, com as nossa celebrações transmitidas remotamente, entristecidos com as noticias de internações e, também com extrema dor, de perda de entes queridos, quero manifestar, mais uma vez, a minha solidariedade e confirmar minhas orações por todos. Quero, também, exortar a todos que a confiança na graça amorosa e misericordiosa de nosso Deus, dê forças a todos. Como nos enche de esperança saber que o bom Deus não abandona seus filhos.

Fomos marcados com o selo de Deus, isto é, com seu Espírito Santo, assim como o Pai marcou Jesus, seu Filho, com o mesmo Espírito, Senhor que dá a vida. É o Espírito do Pai e do Filho que, enviado ao mundo, faz dos homens e das mulheres, participantes da vida divina. Quero, mais uma vez, retomar um grande ensinamento do Concílio Vaticano II sobre a dignidade e a vocação dos batizados, de todos os leigos e leigas, chamados a viverem da mesma graça que perdoa, santifica, dá um sentido novo à vida e um novo horizonte e conduz à glória eterna.

Muito já se falou do tema do laicato, da missão dos leigos e leigas. Graças a Deus já passamos de uma apresentação negativa – os leigos e leigas são os que não tem um ministério ordenado – para uma definição positiva e, de acordo com a evolução do pensamento moderno, o qual nos oferece pistas de consideração da pessoa, seus direitos e sua responsabilidade. Assim, do Concílio Vaticano II recebemos essa definição: os leigos são “os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 31). E, ainda, o mesmo Concílio afirma: “O sagrado Concílio, desejando tornar mais intensa a atividade apostólica do Povo de Deus, volta-se com muito empenho para os cristãos leigos… Com efeito, o apostolado dos leigos, que deriva da própria vocação cristã, jamais poderá faltar na Igreja. A mesma Sagrada Escritura demonstra abundantemente como foi espontânea e frutuosa esta atividade no começo da Igreja (cf. At 11,19-21; 18,26; Rm 16,1-16; Fl 4,3)” (Decreto sobre o apostolado dos leigos Apostolicam actuositatem, 1).

A dignidade e a importância dos leigos e leigas na Igreja foram sempre ressaltadas pelos últimos Papas. De São João Paulo II temos além da realização de um Sínodo dos Bispos com a temática dos leigos: “A vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo”, em 1987, também a publicação da Exortação Apostólica Pós-sinodal Christifideles laici, em 1988, com a mesma temática. Em várias ocasiões, Bento XVI evocou o texto da Exortação de João Paulo II, mostrando a sua atualidade e importância. Para Papa Francisco os leigos são discípulos missionários: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados… Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos «discípulos» e «missionários», mas sempre que somos «discípulos missionários»” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120).

Aos leigos e leigas são dirigidos esses fundamentos que todos precisam refletir e aprofundar. Eles não são exclusivos dos ministros ordenados, mas de todos os batizados. Tais fundamentos podem ser elencados assim: a) a dignidade da pessoa; b) o ser humano como parceiro de Deus; c) Deus faz aliança (pacto) com o homem e a mulher; d) a revelação do nome de Deus como presença amorosa na vida de cada homem e cada mulher e como manifestação de sua misericórdia, dirigida a todos; e) a revelação de Jesus Cristo: Deus é Pai dos homens e das mulheres e convida a todos para o seu Reino, que inclui o seguimento a Cristo e a vivência da graça da filiação divina; f) a necessidade de tornar a vida uma missão.

 

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