Voz do Pastor › 04/08/2014

Os sujeitos e tarefas da conversão pastoral (II)

Queridos irmãos e irmãs!
O documento da CNBB, Comunidade de comunidades. Uma nova paróquia. A conversão pastoral da paróquia (Doc. 100), no capítulo 5, tratando dos sujeitos e tarefas da conversão pastoral, afirma no número 192: na renovação paroquial, todos estão envolvidos. O texto faz referência à doutrina, retomada no Concílio Vaticano II, da relação e distinção entre sacerdócio comum dos fiéis, proveniente do Batismo – fonte e raiz de todos os ministérios – e sacerdócio ministerial, proveniente do Sacramento da Ordem. E ainda, o Concílio expressa como ambos participam do único sacerdócio de Cristo. Somente com a participação e conscientização de bispos, presbíteros, diáconos e leigos, é possível o fortalecimento das comunidades. E uma participação e conscientização dos discípulos missionários dependem de um encontro pessoal com Jesus Cristo.
É necessário, pois, que todos os fiéis, ministros ordenados e leigos, se perguntem: “estou fazendo a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo? ”Encontrar-se com Jesus leva-nos a agir como Ele agiu: Jesus se apresenta como o Bom Pastor que acolhe o povo, sobretudo os pobres. Seu agir revela um novo jeito de cuidar das pessoas (n. 193). Agimos assim também? Esse é o desafio da conversão pastoral. Um renovado amor à pastoral, isto é, uma vivência da missão, não como um pesado fardo que colocamos nos ombros dos outros, mas como experiência do encontro interpessoal, presença evangelizadora, que é sempre uma mensagem de esperança, de alegria, de ternura, para todos, especialmente junto aos que se encontram nas periferias, sejam geográficas, sejam existenciais, como afirma Papa Francisco (cf. n. 194). Para que isso aconteça é urgente fazer de nossas comunidades casa da Palavra, casa do Pão e casa da caridade-Ágape (cf. nn. 176-184). A nossa missionariedade tem esse tríplice ministério: Palavra, Liturgia e Caridade. Na verdade, a nossa vida pastoral deve resplandecer essa realidade. Nela vivemos o que o Papa Francisco chamou de discípulo-missionário descentrado: o centro é Jesus Cristo; Ele se dá na Palavra, luz para a nossa vida; Ele se faz alimento no Pão, força para a caminhada; Ele se faz presente no irmão e na irmã, imagem e manifestação do amor de Deus.
Em primeiro lugar, cabe aos bispos fomentar, em toda a diocese, a conversão pastoral das paróquias (n. 195). Os bispos são os responsáveis por “desencadear o processo de renovação das comunidades”. Eles devem ser “pastores próximos das pessoas”, devem “buscar a unidade”, “cuidar da esperança para que haja sol e luz nos corações”, “animadores de uma nova mentalidade e postura pastoral, marcada pela cultura do encontro e da proximidade”, “devem fortalecer o clero na sua missão e na sua espiritualidade” (nn. 195-198). Por fim, o documento da CNBB faz uma constatação que deve levar-nos a refletir: “sem a iniciativa da diocese e de seu pastor, será muito difícil que as paróquias se tornem comunidade de comunidades” (n. 198).

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo metropolitano de Natal

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