Voz do Pastor › 19/02/2021

Sem comunhão a Igreja não vive

Queridos irmãos e irmãs!

No Capítulo IV dos Estudos da CNBB 104, Comunidade de comunidades – uma nova paróquia, tratando das perspectivas pastorais, encontra-se uma reflexão chamando a atenção para o princípio comunitário da fé (cf. n. 134ss), princípio que lembra uma realidade fundamental da vida da Igreja: a Igreja é mistério de comunhão. “Assim a Igreja, que prolonga a missão de Jesus, há de ser compreendida primeiramente como comunhão (communio), pois sua raiz última é o mistério insondável do Pai que, por Cristo e no Espírito, quer que todos os homens e todas as mulheres participem de sua vida de infinita e eterna comunhão, na liberdade e no amor” (n. 59).

A comunhão acontece primeiramente com Deus, com o Deus Uno e Trino e com os seus bens salvíficos, de modo especial, a Eucaristia, que está relacionada com os outros sacramentos e com a Palavra de Deus.  A comunhão tem origem no mistério da Santíssima Trindade e envolve todos os fiéis e é força profética no mundo contemporâneo marcado por traços profundos de individualismo. Mas, é preciso dar testemunho dessa comunhão. De fato, a comunidade, não só a paróquia territorial, mas todas as formas comunitárias de viver o cristianismo, apontam ou devem crescer na vivência da comunhão. E não só as estruturas, mas especialmente as pessoas, os fiéis, sejam eles leigos ou ministros ordenados. Todos são chamados a viver a comunhão para que nela resplandeça a comunhão trinitária.

Para o Documento de Aparecida, “a Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. O novo mandamento de Cristo é que une os discípulos entre si, reconhecendo-se como irmãos e irmãs, obediente ao mesmo Mestre, membros unidos à mesma Cabeça e, por isso, chamados a cuidarem uns dos outros (1Cor 13; Cl 3,12-14)” (CELAM. Documento de Aparecida, n. 161).

A comunhão na Igreja se faz mais necessária ainda diante dos desafios que se apresentam na sociedade contemporânea. Não podemos ser ingênuos: também a Igreja sofre pelas consequências do individualismo, do intimismo religioso e de um desejo de fazer a experiência religiosa sem pertença comunitária e sem compromisso (n. 99). E isto atinge a todos, leigos e ministros ordenados. Por isso, a grande esperança está voltada para a recuperação deste importante princípio da fé, sem o qual é impossível a Igreja ou o seguimento a Jesus: a renovação paroquial ou a conversão pastoral, que o Documento de Aparecida, as Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil e os Estudos da CNBB 104, almejam para toda a Igreja só será possível se a comunhão for a grande meta de nossa ação pastoral e vivência da fé. A Palavra de Deus e a Eucaristia que celebramos nos conduzem a esta comunhão. É preciso estar atento a isso sob pena de não vivermos a fé. A convocação da Igreja, que é convocação de Jesus Cristo, nos leva a sair do relativismo e individualismo presentes em nosso meio. É necessário, portanto, retomar as bases da comunidade cristã: a Palavra, a Eucaristia, o ensinamento da Igreja, tudo deve levar-nos à comunhão fraterna (cf. At 2,42ss). Depois do Concílio Vaticano II, grande graça renovadora da vida da Igreja, não podemos viver mais para nós mesmos, e sim para Ele que por nós morreu e ressuscitou (Oração Eucarística IV). E o faremos na vivência da caridade, como ágape que nos une na comunhão fraterna.

 

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