Voz do Pastor › 20/05/2016

Solenidade de Corpus Christi

Queridos irmãos e irmãs!

No próximo dia 26, a Igreja celebrará a Solenidade de Corpus Christi.  Dentro das solenidades do Tempo Comum, mas em estreita relação com o Tempo Pascal, a celebração de Corpus Christi lembra a todos o Sacramento da Eucaristia, a doação do corpo e do sangue de Jesus como alimento para os seus seguidores.

Atentos à etimologia da palavra “Eucaristia”, em grego, dar graças ou ação de graças, podemos afirmar que, na última Ceia, Jesus dá graças ao Pai porque entrega aos seus o seu Corpo e Sangue. Ele se alegra em tornar-se alimento para os homens: “panisangelicum, fitpanishominum”. Celebrar a Eucaristia, portanto, para a Igreja significa participar da alegria do Filho eterno de Deus feito homem, uma alegria que se torna eterna.

A Solenidade de Corpus Christi, como é mais conhecida, foi instituída pelo Papa Urbano IV, em 1264, com a Bula “Transiturus de hoc mundo”, datada de 11 de agosto de 1264. Nesta Bula, o papa Urbano IV afirma: “Na instituição deste sacramento, ele disse aos Apóstolos: ‘Fazei isto em minha memória’ (Lc 22,19), para que este excelso e venerável sacramento fosse para nós peculiar e insigne memorial do seu extraordinário amor com o qual nos amou Superando toda plenitude de generosidade, excedendo toda medida de amor, ofereceu a si mesmo em alimento. Ó singular e maravilhosa generosidade, onde o doador vem como dom, e o que é doado é totalmente idêntico ao doador”. Por ordem do papa, o grande teólogo da época, o Frei Tomás de Aquino compôs o Ofício da Festa e o belíssimo hino “Lauda Sion”, onde afirma, em forma de poesia, a teologia do sacramento da Eucaristia: Quod in coena Christusgessit. Faciendum hoc expressit In sui memoriam/ Docti sacris institutis, Panem, vinum in salutis, Consecramushostiam/ Dogma daturchristianis, Quod in carnemtransitpanis, Et vinum in sanguinem. Quod non capis, quod non vides Animosa firmat fides Praeterrerumordinem (O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar. Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação. Deve-o crer todo cristão: faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo: Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé).

Sacramentumcaritatis, portanto, a Eucaristia é a manifestação do amor de Jesus pela sua Igreja, do amor redentor pelos homens e mulheres. É esse amor que origina a Igreja e faz a sua missão: a Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia. Não uma simples confecção, mas a sua própria natureza. A Igreja existe para doar-se aos homens e às mulheres, não só anunciar a boa nova, mas proporcionar a vida da graça, principalmente através da comunhão com o Corpo e o Sangue de Cristo. Essa é a sua ação de graças, essa é a sua alegria. Lembra o Papa Francisco, falando para a família, na Exortação Apostólica Pós-sinodal Amorislaetitia, citando a Exortação Apostólica Evangeliigaudium: “A Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” (n. 305, nota 351).

Exorto a todos que realizem com zelo e decoro a procissão com o Santíssimo Sacramento. Peço a todos que não esqueçam de rezar, neste dia, pelas necessidades da Igreja, pelo Papa Francisco, pela Igreja diocesana, por mim, pelo Clero e por todos os fiéis leigos.

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