Voz do Pastor › 18/12/2020

Um Natal cheio de esperança

Hoje surgiu a luz para o mundo: Senhor nasceu para nós. Ele será chamado admirável, Deus, Príncipe da paz, Pai do mundo novo, e o seu reino não terá fim (cf. Is 9,2.6; Lc 1,3).

Prezados leitores/as,

O Natal se aproxima. Desde quinta-feira, 17, a Igreja está vivendo a “novena” do Natal. De fato, de 17 a 23 de dezembro a Igreja canta as antífonas do “Ó”, especialmente na oração da tarde, as Vésperas, da Liturgia das Horas, na antífona do cântico evangélico Magnificat, onde louva e bendiz a Deus pelo acontecimento da vinda do seu Filho, tornando-se Homem no seio virginal de Maria (Ó Sabedoria, que saístes do Altíssimo, Ó Adonai, guia da casa de Israel, Ó Raiz de Jessé, ó estandarte levantado em sinal para as nações, Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel, Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna, Ó Rei das nações, Desejado dos povos, Ó Emanuel: Deus-conosco, nosso Rei Legislador).

A exultação da Igreja pelo nascimento do Filho de Deus feito carne se reveste de uma particular ênfase, especialmente no momento difícil em que estamos vivendo. Ele é permeado de esperança, de confiança na ação libertadora de Deus para a nossa vida, para a nossa história. Certamente, temos muito a nos penitenciar, abrir nossos corações ao aprendizado diante da experiência de dor, de perda, de tristeza, que vivenciamos nestes quase 10 meses de pandemia. Muito nos entristece também o fato de existir indiferença e falta de sensibilidade de alguns defronte ao drama da humanidade, especialmente dos pobres, dos marginalizados, daqueles que deveriam ser tratados com a mesma dignidade. Mas, o Natal está às portas. E não podemos deixar de celebrar Aquele que nos dá vida nova, nem deixar que a luz de Cristo ilumine nossa vida, nossa casa, nossa história, e muito menos ainda, purificar-nos com a singeleza e pureza da Criança de Belém. Com o Natal entramos num novo tempo. O próprio Deus vem habitar em nosso meio. É um mistério que devemos acolher: o Menino e sua mãe. Ele quis experimentar nossa fragilidade, para nos cumular de sua divindade. Ele não nos dá poder para dominar, massacrar, ludibriar, explorar. Pelo contrário, Ele nos enche de sua ternura, cumula-nos de bênçãos e graças. Cabe a nós acolher o Deus que vem ao nosso encontro.

Temos esperança de entrarmos no mundo pós-pandemia. É um mundo mais consciente, um mundo mais adulto e responsável. Porém, um mundo que não pode existir sem a alegria do anúncio da vinda de Deus. Já não podemos mais aceitar uma mensagem que amedronte, que estrague nossa paz, que nos apavore a ponto de nos acomodar e não arriscar no caminho do bem. Todos são convocados a colaborar para que o mundo seja iluminado. Nós, os que cremos em Jesus e em seu Pai, nosso Pai, e na força do seu Espírito Santo, somos instigados a olhar para o mistério do Menino e sua Mãe, e abrir nosso coração e nosso sorriso para contagiar a todos e consolar-nos para consolar a tantos que perderam amigos, parentes, vizinhos, pessoas amadas. O Natal nos consola e nos dá, na fragilidade da Criança, a esperança de que Deus é da nossa parte. Não estamos sozinhos, abandonados à própria sorte. Deus deseja que neste Natal possamos inundar nossos corações de alegria, de beleza e de fé.

Meu desejo e minha mensagem é de que o olhar de cada um, de cada uma, seja direcionado ao olhar de contemplação de nosso Deus, um olhar de compaixão, mas também de alegria por estar tão unido a nós, ter-se tornado Homem, a tal ponto de ser tão humano, que só podia ser o Filho de Deus. Que tenhamos a coragem de olhar assim como Deus nos olha. Feliz Natal! Que o Menino Deus abrace cada um, cada uma, levando a todos à alegria sem fim, de um Deus que permanece sempre conosco.18

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