Artigos, Notícias › 05/03/2021

Miséria à Misericórdia

Por Pe. Matias Soares
Pároco da paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório
Natal/RN

A intenção do Papa Francisco para este mês é sobre o sacramento da misericórdia. Como é interessante como o Pontífice fala dos sacramentos de um modo pastoral. É encantador. É um homem que vive na própria condição humana o que celebra.

O tema da minha tese de mestrado foi sobre “a misericórdia como categoria de moral social”. Fui motivado pela teologia pastoral do Sucessor de Pedro. Seus ensinamentos estão radicados no evangelho e na genuína Tradição Viva da Igreja. Basta que leiamos os Santos Padres, que nos ensinam que a misericórdia “é compaixão de Deus pela miséria do ser humano”.

Para quem faz a experiência constante de viver, como confessor, o sacramento da penitência, acolhe como um bálsamo a intenção do Papa Francisco para este mês de março, para que sejamos confessores misericordiosos. O sacramento da confissão é essencialmente o sacramento da misericórdia. Como é salutar e fortalecedor, considerado na sua antropologia integral, este sacramento! É um mistério profundo, que, vivido na dinâmica da fé, torna-se um dos sublimes canais objetivos da graça de Deus.

A tradução deste mistério está na sua fórmula de absolvição, a saber: “Deus Pai de misericórdia, que reconciliou o mundo consigo, mediante a Paixão e Morte de seu Filho, Jesus Cristo, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz, e eu te absolvo de teus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Vejam que o sacerdote absolve os pecados em nome da Igreja, que é sacramento de salvação, à luz do mistério de Jesus Cristo, que é a Luz dos povos, como nos ensina o Concílio Vaticano II (LG, 1).

Enfim, em tempos tão difíceis, como os que estamos vivendo, recomendo vivamente que todos os fiéis, dentro das suas possibilidades, respeitando o distanciamento social e seguindo as recomendações protocolares, procurem o sacramento da penitência em suas paróquias, como meio de fortalecimento e conforto espiritual, já que somos vocacionados a viver a comunhão com Deus e com nossos irmãos. Como também, dentro das possibilidades, os nossos irmãos sacerdotes deixem horários de atendimento em suas paróquias; pois, quando os fiéis sabem que têm horários de confissões e que ministros ordenados estão esperando, há a procura da parte dos penitentes. Não esqueçamos que é um direito da comunidade o possível acesso a esse sacramento por excelência da Nova Evangelização. Assim o seja!

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