Artigos, Notícias › 28/12/2020

Padre Diocesano: que espiritualidade?

Por Pe. Matias Soares
Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório – Mirassol – Natal

Gosto de pensar e viver a experiência da minha diocesaneidade presbiteral. Acredito que isso deve-se ao fato de ser feliz em ser padre; simplesmente padre. Isso é graça de Deus. Pouco tempo faz, em uma fala para os meus atuais paroquianos, quase que inconscientemente disse que a espiritualidade do sacerdote diocesano têm duas vias de realização. Desejo partilhar em poucas linhas aquela meditação, acrescentando um terceiro aspecto, de modo que um tripé pode ser posto com a finalidade de portar luz aos interessados pela temática, a saber: o Espírito Santo; a Comunidade e o Bispo.

1. O Espírito Santo: depois do evento de Pentecostes, tudo na vida da Igreja tem como protagonista a terceira pessoa da Santíssima Trindade. A ação da comunidade eclesial é animada sempre pelo Espírito de Amor. Podemos ampliar essa constatação dizendo que toda a história da salvação é obra da Santíssima Trindade; ou seja, existe a dimensão teocêntrica que configura e dá “forma” a toda e qualquer espiritualidade da vida cristã;
2. A Comunidade: graças à vida sacramental, mais especificamente aos sacramentos de iniciação cristã, despertada pela acolhida do “primeiro anúncio” e o processo continuado de conversão, o presbítero deve assumir a consciência de que é alguém tirado do meio da comunidade, confirmado pela Igreja, na sua sacramentalidade, para ser “servidor” dessa mesma comunidade. O presbítero é guia e pastor de uma comunidade de fé;
3. O Bispo: a espiritualidade do padre diocesano é indissociável da sua comunhão com o Pastor Próprio de uma Igreja Particular, que é o Bispo, que, no seu tríplice múnus de sacerdote (ministro dos sacramentos, especialmente a Eucaristia), profeta (ministro da palavra) e rei (ministro do governo), também deve testemunhar a comunhão com o que é próprio do Depósito da Fé da Igreja. O Bispo é o servo dos servos (presbíteros/sacerdotes) de uma Igreja Particular; ou seja, de uma Diocese.

Por fim, em tempos de pandemia como os que estamos vivendo, vale uma chamada de atenção para esses valores da nossa espiritualidade presbiteral. Eles são interligados e complementares. Não existem divididos e conflitados. Na sua última mensagem de Natal para Cúria Romana, o Pontífice fez uma distinção válida e esclarecedora sobre a diferença entre “crise e conflito”. A primeira pode ser oportunidade de crescimento, enquanto que o segundo nos leva à divisão. Ele ainda nos mostrou que o Evangelho é o que temos para sanar nossas crises. Por isso, façamos a nossa parte convertendo-nos e acreditando no Evangelho. Assim o seja!

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