Padre: Homem de oração e de estudo

Por Pe. Matias Soares, pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Mirassol, Natal

O presbítero precisa ser um amante da oração e do estudo. Não por vaidade, ou soberba; mas, justamente como sinal de humildade e desejo de servir bem ao povo de Deus. É estranho detectarmos que não existe num Presbitério a cultura da oração e do estudo. É triste para os sacerdotes e lamentável para o amadurecimento cristão e eclesial dos fiéis. É sinal de mediocridade e mundanidade.

O cuidado com as dimensões humana, espiritual, intelectual e missionária-pastoral precisa ser uma busca permanente de todos os presbíteros que amam sua vocação e têm consciência da sua identidade vocacional. Reconhecer que não necessita parar para dialogar com Deus e conhecer o que precisa ser anunciado aos fiéis, nas homilias, na catequese, na pastoral, na administração e responsabilidades afins, isso sim é sinal de prepotência e arrogância. O medíocre cultiva a ignorância e faz a apologia da estupidez.

A crise de valores invadiu o coração de alguns Presbíteros. Quando não há humildade para reconhecer que todos nós precisamos nos preparar constantemente, podemos cair nos encantos da sereia e fazermos do ministério uma profissão. Não podemos ser meros funcionários do sagrado. Enquanto o povo tiver fé na força dos sacramentos, muitos sobreviverão. Mas, com o avanço da crise de fé vivida pelo ser humano contemporâneo, teremos muitíssimas dificuldades num futuro não tão distante. Há uma indiferença que deveria gerar mais questionamentos. Existe uma certa névoa da ilusão, que ofusca a lucidez de tantos.

Temos que avançar para águas mais profundas. A começar por alguns seminários, que há muito tempo deixaram de fomentar o “desejo de conversão permanente” no íntimo dos seminaristas e, consequentemente, nos padres que logo serão ordenados. O que aparece, em muitas situações, são sinais de vaidade, despreparo humano, alienação e carreirismo. Algumas dessas estruturas poderiam ser repensadas.

Por fim, temos capacidade de nos aprimorar. Não podemos ser traidores do Dom que Deus nos deu. Nada de covardia. Em tempos de crises e tantos desafios, somos chamados a ser verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, nosso Redentor, que nos chamou porque Ele quis. Não podemos trair a confiança depositada. Assim o seja!

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