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ARTIGO - A Procissão do Encontro: Uma tradição de fé, piedade e história




Pe. Bianor Francisco de Lima Júnior

Pároco da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação - Antiga Catedral


A Procissão do Encontro, realizada anualmente em Natal durante a Quaresma, é uma das mais emblemáticas expressões da piedade popular na capital potiguar. Esta manifestação religiosa é mantida viva pelas Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Senhor Bom Jesus dos Passos, que celebram neste ano de 2025 seus Jubileus de 300 anos e 200 anos de fundação respectivamente e que ao longo dos séculos, têm zelado por sua organização e significado espiritual.


A origem da procissão remonta ao século XIX, já que se conta 200 anos de tradição ininterrupta, quando a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação servia como centro das principais festividades litúrgicas da cidade. Inspirada em tradições ibéricas, a Procissão do Encontro representa a comovente passagem evangélica em que a Virgem Maria, Mãe da Soledade, encontra-se com seu Filho, carregando a cruz a caminho do Calvário. O cortejo divide-se em dois grupos distintos: um conduz a imagem do Senhor dos Passos, saindo da Igreja do Bom Jesus das Dores na Ribeira, enquanto o outro segue com Nossa Senhora da Soledade, partindo da Antiga Catedral.


O encontro, até tempos idos, ocorria na Praça Sete de Setembro, em frente ao Palácio do Governo, hoje Pinacoteca do Estado, onde era vivido um momento de profunda emoção e reflexão para os fiéis. Pela década de 1980, com a construção da Nova Catedral Metropolitana, o encontro passou a ocorrer na Praça Pio X, em frente ao novo templo. Nos nossos dias, para uma maior comodidade dos fiéis, esta paraliturgia tem ocorrido interior da Catedral.


As Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Senhor dos Passos desempenham um papel fundamental na perpetuação dessa devoção. Neste ano de 2025, um resgate está sendo proposto: unir o que foi feito no passado com o que vem sendo feito no presente, envolvendo as estruturas arquidiocesanas para dar o brilho do passado e devolver ao povo de Deus a tradição e a piedade deste gesto que demonstra que nos encontros e desencontros da vida, o amor sempre vencerá a dor, a luz sempre vencerá as trevas e que não existe Ressurreição sem o sacrifício da Cruz.


Para este ano, iniciativas como a participação das paróquias do I Zonal, das comissões arquidiocesanas, a reconstituição dos trajes e incentivo à participação da juventude nas cerimônias têm reforçado o compromisso das irmandades com a preservação deste patrimônio imaterial. Deve-se adaptar a tradição aos nossos dias sob pena de que ela venha a desaparecer.


Além do seu valor religioso, a Procissão do Encontro constitui um elo entre o passado e o presente da cidade de Natal. Suas ruas históricas, iluminadas por tochas e velas, testemunham a fé de gerações que, ano após ano, renovam seu compromisso com a Paixão de Cristo. Em tempos de transformações sociais e desafios para a manutenção das práticas tradicionais, a dedicação das Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Senhor dos Passos reafirma a importância desta celebração bicentenária, que segue emocionando e inspirando os fiéis de Natal.


Dessa forma, a Procissão do Encontro permanece como um símbolo de devoção, resistência e identidade cultural, enriquecendo a espiritualidade dos fiéis e fortalecendo os laços entre a comunidade cristã. Graças ao esforço das irmandades e ao envolvimento dos devotos, essa expressão de fé continuará a atravessar os séculos, ecoando as palavras do Evangelho e a compaixão da Virgem Maria pelo sofrimento de seu Filho. Que esta tradição continue a ser um farol de esperança e renovação espiritual para as futuras gerações.

 

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