ARTIGO - A santidade é perfeição?
- pascom9
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Pe. José Marcos Silva de Lima
Diretor espiritual do Seminário de São Pedro
No universo religioso uma grande preocupação dos adeptos de cada crença diz respeito à santidade. Antes de seguirmos com esta reflexão, é importante dizer que na palavra santidade se encontram na verdade duas outras palavras: santa e idade = idade santa. Qual a idade santa? é aquela que atingiu a maturidade interior. Nesse sentido, santidade não diz respeito tão somente a um conjunto de observâncias religiosas dentro de um sistema de legalismo religioso estrutural. Santidade está relacionada com a graça de uma vida guiada pelo coração enternecido pela bondade divina. Santa é a pessoa que aprendeu a viver a partir do coração e que recebeu como dom a sabedoria do alto. É a pessoa que pauta sua convivência no mundo pela ética do amor.
Têm pessoas que às vezes não sabem discernir entre santidade e perfeição, fazendo assim uma certa confusão até mesmo em suas práticas religiosas. É verdade que muitas são ingênuas no caminho da espiritualidade. Vivem uma espiritualidade com rudimentos de catequese que infelizmente não contribuíram para uma experiência religiosa mais sólida e duradoura.
A perfeição pertence unicamente a Deus. Em Deus está a perfeição de tudo o que existe e foi criado. Somos reflexos de sua bondade, porém, marcados pela experiência do pecado. Mesmo assinalados pela graça de sua presença radiante, que plasma em nossa alma o desejo de eternidade, ainda assim, como seres humanos, somos maculados pela experiência da desobediência e da queda.
Santo Inácio de Loyola , místico espanhol e fundador da companhia de Jesus, usa o símbolo da escada para diferenciar santidade de perfeição. Ele ensina que a pessoa perfeccionista (que busca uma perfeição inatingível), é aquela que tenta subir uma escada acima da superfície, com uma carga pesada cujo peso desmotiva e entristece. Não aguentando o peso, desiste de subir e cai na mais completa desolação. Já a pessoa que busca a santidade, não sobe para lugar algum. Ela desce a escada subterrânea de seu próprio coração, encontrando aí sua história redimida pela graça divina e eleita no número dos discípulos de Cristo que o seguem unicamente confiando em seu amor.
Essa experiência de busca de santidade deve ser refletida em todas as nossas ações, e sobretudo, na oração.