Destaques › 16/08/2015

“Precisamos ser ousados na evangelização”

(Foto: Cacilda Medeiros)

(Foto: Cacilda Medeiros)

Ele é sacerdote há 20 anos, está como pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR), e dirige a Associação Evangelizar é Preciso. Diariamente, Padre Reginaldo Manzotti fala para milhares de pessoas, através de mais de 1.500 emissoras de rádio, e de outros meios e comunicação. Para ele, o cristão precisa ser ousado na evangelização, com o diz Santa Teresa: ‘seja ousado, porque Deus ajuda a quem coragem tem’.

A Ordem: Como é a experiência de evangelizar através da música?
Pe. Reginaldo: Primeiro, minha saudação a todos da Arquidiocese de Natal, de modo especial a Dom Jaime Vieira Rocha e a todo o clero. Muito obrigado por me acolherem na Arquidiocese, para o primeiro Evangelizar é Preciso – Natal. Precisamos muito ser ousados na evangelização, como diz Santa Teresa: ‘seja ousado, porque Deus ajuda a quem coragem tem’.  De fato, precisamos ousar na evangelização, sem medo. É a nossa porção na colaboração da evangelização de hoje, em vista das próximas décadas.
A Ordem: O foco do seu trabalho é a Associação Evangelizar é Preciso. Em que consiste essa associação?
Pe. Reginaldo: A Associação Evangelizar é Preciso tem por carisma evangelizar através dos meios de comunicação católicos e seculares. Nós temos 24 horas de programação católica disponível para qualquer rádio do Brasil. Temos, inclusive, o ‘Madrugada Evangelizar’. Vamos supor que tenha uma rádio católica que não tenha programação à noite. Então, nós oferecemos conteúdo. Temos, também, 24 horas de programação de TV. Não precisa transmitir a grade inteira, basta veicular o programa, porque nós oferecemos conteúdo, com qualidade, plástica, arte, com eficiência, sem fins lucrativos. Não cobramos nada. Queremos ajudar a quem, às vezes, passa por dificuldades. Quando você oferece conteúdo, está oferecendo catequese, está oferecendo formação de lideranças e de consciência. Também cuidamos de dez mil crianças, por mês, acompanhadas pela Pastoral da Criança. E agora ainda abraçamos a Pastoral da Pessoa Idosa. Fui nomeado, pela CNBB, embaixador da Pastoral da Pessoa Idosa. Não sei onde isso vai resultar. Sei o que a Igreja pede, eu aceito, em nome da obra, com muito carinho.

A Ordem: O senhor apresenta um programa, o ‘Experiência de Deus’, levado ao ar por mais de 1.500 emissoras de rádio. Como é realizar esse trabalho?
Pe. Reginaldo: É um trabalho árduo, porque todos os dias, às 10 horas da manhã, tenho um compromisso. Quando estou em viagem, tenho que levar o tyline, tenho que programar horário de voo. Às vezes, tenho que deixar o programa gravado, mas isso raramente acontece, porque não é do meu feitio. Completo, em 2015, vinte anos de padre e fico muito feliz de poder prestar esse serviço para a Igreja. Não é fácil, porque falo para realidades diferentes. Mas, por outro lado, os problemas só mudam de sotaque. Quando você fala a linguagem comum, que é a de Jesus Cristo, da Igreja e da vida, não tem erro.

A Ordem: Que frutos o senhor tem colhido, nesse trabalho de evangelização?
Pe. Reginaldo: Eu não tenho procurado os frutos. Deixo a colheita para Jesus. Ainda estou na fase da semeadura.

A Ordem: Como o senhor consegue conciliar o trabalho de pároco, com esse trabalho de evangelização através da música?
Pe. Reginaldo:  Não é difícil. Requer disciplina e organização. Estou como pároco e não pretendo deixar, porque é um lugar importante pra mim. Eu não conseguiria ser padre sem paróquia. Tento conciliar minhas saídas e minhas permanências. Estando em casa, celebro todos os dias.

A Ordem: Que mensagem o senhor deixa para a Arquidiocese de Natal?
Pe. Reginaldo: O Papa Francisco nos deu um ritmo pastoral. É o ritmo da Igreja que sai de si mesma e vai ao encontro da ovelha perdida. O ritmo de quem está com o pé na porta, em missão, de fazer comunidade em comunidades. O ritmo pastoral do Papa Francisco é da simplicidade e do acolhimento; de ter os braços sempre abertos para acolher não aqueles que nós gostamos, que estão ‘domesticados’ na fé, mas acolher as pessoas que são diferentes. É o ritmo pastoral que Jesus deu ao sentar com os pecadores e publicanos e que, às vezes, em nossa hipocrisia, temos medo de sujar nossas mãos e de imaginar o que vão pensar sobre nós. Jesus Cristo e o Papa Francisco nos dão o ritmo pastoral de não ter medo de ser criticado. Nós vivemos numa zona de conforto muito grande e queremos fazer da Igreja um status pessoal. A Igreja não é um status; é um serviço. E o ritmo pastoral que a Igreja pede, hoje, é o da evangelização, da visitação, de resgate.

(Entrevista publicada no jornal A Ordem, edição de 16/08/2015)

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