Destaques › 08/09/2015

Questão hídrica entra no debate na Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional

(Texto/foto: José Bezerra)

(Texto/foto: José Bezerra)

A IV Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Norte acontece desde a manhã desta segunda, 8, e prossegue até amanhã (9), no Hotel HollidayInn, em Lagoa Nova, Natal. Com o tema “Comida de Verdade no Campo na Cidade: por direito e soberania alimentar”, a conferência teve um painel coordenado por Janaína Henrique, com três palestrantes e debate abordando aspectos diversos.

O primeiro foi o Programa de Análise de Resíduos Agrotóxicos, com Maria Cecília Barbosa de Faria. “Algumas das dificuldades que enfrentamos é conseguir Notas Fiscais dos produtos para poder se chegar aos produtores e a falta de autonomia do órgão e de incentivos para o trabalho”, destacou Maria Cecília. Mesmo assim, segundo afirmou, foi possível avançar em alguns pontos, como o envio dos laudos para o Ministério Público e a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta. “Os produtores ainda usam muitos produtos não autorizados”, ressaltou.

Outro palestrante foi Sérgio Paganini, que destacou como um dos avanços no campo da Segurança e Soberania Alimentar o “Direito Humano à Alimentação Adequada” (DHAA). Ele destacou que nos anos 90, 12 milhões de domicílios brasileiros viviam em regime de subalimentação e que, em 2012, esse número registrou uma queda de 82%. “Mesmo assim, ainda são mais de dois milhões de domicílio em regime de subalimentação”, frisou. Paganini disse, ainda, que a Agricultura Familiar está presente em toda cadeia de alimentação. “Questões importantes para a segurança alimentar e nutricional são o acesso à terra e à água, assistência técnica e extensão rural (ATER), acesso ao crédito e mercado”, destacou.

O último tema do Painel foi sobre a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), a cargo do agrônomo José Procópio de Lucena, do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) e da coordenação da ASA Potiguar. Ele aprestou para debate a “Privatização da Água com uma das causas da crise hídrica”, no Semiárido Brasileiro. “Hoje, a indústria da seca está mais viva do que nunca. Existem cerca de sete mil carros pipas distribuindo água e muitas empresas faturando milhões de reais com a crise hídrica”, frisou.

Depois de apresentar breves tópicos sobre a origem da ASA e a missão que essa Articulação assumiu, Procópio apresentou alguns números sobre a conquista das tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, por parte das famílias. “Essas famílias saíram da situação de pessoa-objeto para a de sujeito-protagonista, a partir dos saberes que elas já detinham”, realçou.

Os números que ele apresentou impressionam: 578.447 cisternas de 16 mil litros de água (de uso doméstico) para igual número de famílias, em 1.141 municípios do semiárido, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). Os números do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2, água para produção de alimentos), também são impressionantes. São 46.824 cisternas calçadão; 26.871 cisternas de enxurrada; 9.637 barreiros trincheira; 1.812 barraginhas; 1.419 barragens subterrâneas; e 821 tanques de pedra.

“Essas tecnologias sociais foram conquistadas por 87.632 famílias. Juntas, essas tecnologias têm a capacidade para armazenar mais de 21 milhões de metros cúbicos de água de chuva, em todo o semiárido. Isso é a democratização da água”, concluiu Procópio.

Depois da apresentação dos temas, houve debate com os cerca de 300 participantes do evento. A conferência prosseguirá até amanhã, 9 de setembro.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X