Artigos, Notícias › 05/11/2020

Vida conjugal e maturidade humana

Por Pe. Matias Soares
Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório – Mirassol

Uma das grandes preocupações da vida pastoral de um Presbítero é com as famílias. Isso porque é nelas que a vocação humana e cristã acontece. Inclusive a própria vocação sacerdotal. É comum ouvirmos a afirmação de que a família é célula fundamental da sociedade. A Igreja também assume essa verdade. A família é a Igreja doméstica.

Não é novidade a constatação de que há modelos de famílias na sociedade contemporânea. Estamos vivendo um tempo de mudanças. Novas ordens sistêmicas estão surgindo e querendo ser reconhecidas. Sem dúvida, influenciando ou sendo influenciada, a família está no centro destas questões. É a educação, a vida afetiva, construção da personalidade e outras integrações que na família começam a ser balizadas e a partir dela são lançadas na dinâmica da sociedade.

Todas essas possibilidades farão com que, cada pessoa vá formando a sua personalidade, seu caráter e estrutura psicológica, biológica e espiritual. As varias ciências, principalmente as humanas, já estão tomando esta dimensão espiritual como algo transversal da condição humana. Uma pessoa que tem sua personalidade, integral e integrada, terá mais condições de viver de modo feliz e realizado a sua vida matrimonial.

Eis aqui a questão central desta reflexão, que é fruto de discernimento na caminhada pastoral com os casais: muitos casamentos são destruídos, em muitas situações, não por falta de amor, e sim por imaturidade humano-afetiva. E acrescentaria: por uma lacuna existente nestes tempos líquidos e subjetivistas de uma necessária espiritualidade conjugal. O amor, traduzido em respeito, perdão, sinceridade, confiança, diálogo, parceria, amizade, carinho, fidelidade, humildade, alegria, delicadeza, afeto etc… é o sentimento que exige dos casais atitudes que vão fortalecendo a caminhada de um casal feliz e realizado.

Por fim, quero dizer que precisamos pensar a vida conjugal partindo deste realismo antropológico. Vos recomendo a leitura atenta e eclesial da Exortação Apostólica do Papa Francisco: “A Amoris Laetitia”. A leiam com muita atenção e percebam o espírito da Exortação. Que Deus abençoe e fortaleça todos os casais para que não joguem fora o tesouro da família que cada um tem. Assim o seja!

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